De 2012 a 2016 mais de 230 falsos enfermeiros foram retirados dos hospitais e dos centros de saúde, assinala uma nota da Inspecção Geral da Saúde (IGS). A província de Luanda lidera a lista de apreensões de certificados falsos, com os municípios de Cacuaco, Belas e Viana à testa.

Setenta e seis falsos enfermeiros foram proibidos de exercer a profissão nos hospitais públicos e centros de saúde privados, de acordo com dados disponibilizados a OPAÍS pela Inspecção Geral do Ministério da Saúde. Essa operação resulta de um trabalho levado a cabo por esta instituição, nos últimos três anos, em virtude de denúncias feitas por cidadãos e de visitas de campo efectuadas em diferentes unidades sanitárias. Segundo a fonte da Inspecção Geral da Saúde (IGS), na condição de falsos enfermeiros foram detectados diferentes casos, nomeadamente, os que nunca passaram em escola alguma de enfermagem, e os que não concluíram a formação básica ou média.

A última categoria refere-se àqueles que concluíram formação porém não lhes foram atribuídos certificados por não terem feito a respectiva defesa académica. Em ambos os casos, de acordo com a IGS, são integrados na categoria “falsos enfermeiros” por não possuírem documento algum que os habilite exercer a profissão. Luanda é a província em que se regista o maior número de apreensões de certificados falsos, encabeçada pelos municípios de Cacuaco, Viana e Belas. Entretanto, os anos de 2012, 2013 e 2014, foram os que registaram as mais elevadas taxas de apreensões, com um total de 162 casos confirmados, assegurou a fonte deste jornal, tendo enfatizado que os casos foram remetidos aos Serviços de Investigação Criminal (SIC).

Proibida a abertura de escolas privadas de Saúde

A fonte de OPAÍS referiu que o problema dos falsos enfermeiros começou a ganhar corpo com a dispersão de escolas de enfermagem e centros de saúde a nível da periferia, tendo os Ministérios da Saúde e Educação proibido a abertura de novas instituições. “Pelo menos há cinco anos que nós não autorizamos a abertura de novas escolas privadas de enfermagem porque são elas as fontes da proveniência de certificados falsos”, salientou. Sem revelar números, a fonte do IGS revelou que existe uma quantidade relevante de cidadãos exercendo a enfermagem sob acentuada suspeita, tanto nas instituições públicas como nas privadas, enquanto decorre o processo de avaliação dos certificados. No caso específico dos hospitais públicos, o interlocutor disse que as acções desenvolvidas têm conhecido limitações pelo facto da maioria dos enfermeiros suspeitos já exercerem a profissão há mais de 20 anos.

“80 a 90% dos medicamentos são credíveis”

Este ano foram apreendidas mais de três toneladas de medicamentos contrafeitos pela IGS, conforme reportou este jornal na sua edição de 30 de Setembro do ano em curso. Todavia, a fonte garante que 80 a 90 por cento dos medicamentos consumidos no país são credíveis, acrescentando que os dados divulgados não devem ser encarados de forma generalizada, pois se trata de uma demostração do rigor na acção de fiscalização de medicamentos no país.

Casos confirmados remetidos aos Serviços de Investigação Criminal (SIC)

2012 :61 Enfermeiros falsos

2013: 49 Enfermeiros falsos

2014 :52 Enfermeiros falsos

2015 :12 Enfermeiros falsos

2016 :12 Enfermeiros falsos

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