Em doze meses de actividade, a Unidade Técnica para o Investimento Privado, UTIP, celebrou contratos na ordem dos 9 mil milhões de dólares, anunciou esta Quarta-feira, 16, Norberto Garcia, o director daquela instituição

Em Outubro de 2015 o Executivo aprovou um novo quadro legal para o Investimento Privado em Angola e, consequentemente, foi criada a UTIP, serviço especializado de apoio permanente ao Titular do Poder Executivo, encarregue pela preparação, condução, avaliação e negociação dos projectos de Investimento Privado com valor de investimento superior ao equivalente a USD 10 milhões.

Num prazo de até 34 meses, no pico da execução prática das diferentes propostas apresentadas à UTIP, essencialmente investimentos direccionados para os sectores produtivos prioritários, tais como agricultura, agro-indústria, indústria, pescas, energia e águas, infra-estruturas, entre outros, serão criados cerca de cinco mil postos de trabalho directos e outros três mil indirectos.

O director da UTIP reconhece que, apesar de o país ainda não atingir o estádio ideal para facilitar a atracção do investimento estrangeiro, nos últimos 12 meses “muito trabalho de casa” foi feito e acredita que a péssima posição atribuída a Angola no ranking do DOING BUSINESS pode ser revista.

“É como na escola. Aos alunos às vezes é atribuída uma nota que se for revisada pode mudar. Para o nosso caso, acreditamos que uma revisão das tarefas executadas permitiria rever em alta a nossa posição”, disse o director da UTIP.

A celeridade na concessão de vistos de entrada no país e o combate aos entraves burocráticos na execução são alguns dos aspectos que ainda continuam a emperrar a melhoria do ambiente de negócio no país e que serão debelados com a participação de todos, segundo garantiu o responsável.

Num momento em que a estratégia do Executivo é o aumento da produção e das exportações de bens e serviços, o director da UTIP diz que os investidores começam a ter uma postura diferente de abordagem do mercado, sentindo que há espaço para desenvolver a produção nacional. Ao contrário do que acontecia até um passado recente, há uma forte tendência de se instalarem fora de Luanda encorajados pelos incentivos que o país está a oferecer.

Norberto Garcia considera que os sectores da energia e águas devem merecer atenção particular por serem dois elementos que fazem grande diferença nos custos operacionais dos investimentos e que pesam muito na hora dos investidores tomarem decisões.

O director da UTIP garante que condições naturais e a preparação do ambiente de negócios no país estão a jogar a favor da atracção dos investidores para Angola e brevemente o país poderá beneficiar de resultados práticos.

Segundo Norberto Garcia, os 35 milhões de hectares de terras aráveis, os cerca de 1600 km de costa marítima, as extensas e ricas áreas de recursos minerais, a rica bacia hídrica de que o país dispõe, são, por si só, “pré-condição para que na verdade a nova política de investimento privado possa caminhar de modo sustentável e assim conseguirmos levar avante todo um processo de desenvolvimento”.

Segundo o mesmo responsável, o mercado angolano, se por um lado, tem o desafio da diversificação da economia, por outro lado tem a oportunidade de atrair investimento para o sector não petrolífero, pelo que a UTIP transformou-se num parceiro dos investidores na articulação com todos os organismos públicos que intervêm nos procedimentos de apreciação, execução e implementação dos projectos de investimento.

Norberto Garcia renovou o convite aos investidores estrangeiros garantindo que a UTIP está “pronta a levá-los ao colo” e espera que formulem projectos concretos e estruturantes para atender ao mercado interno e externo, na certeza de que serão rentáveis e vão proporcionar bom retorno do capital investido, no momento do repatriamento de lucros e dividendos, obviamente resultantes da actividade desenvolvida.

Os investidores angolanos são igualmente convidados e encorajados pela UTIP a participarem no processo, porquanto é política do Estado angolano “fazer ascender novos ricos nacionais saudáveis” como forma de maximizar os benefícios do investimento estrangeiro no espaço nacional.

Assim, os investidores estrangeiros devem associar-se a empresários nacionais que devem encontrar e negociar directamente com eles. É desta forma que o Estado pretende proteger e fazer ascender, num futuro breve, uma elite de empresários que aprendam a caminhar e a desenvolver com a experiência dos mais experimentados que vem do estrangeiro.

O director da Unidade Técnica para o Investimento Privado, UTIP, Norberto Garcia, foi o convidado de ontem para as habituais conferências de imprensa promovidas pelo Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA) ,no âmbito da estratégia de maior e melhor comunicação adoptada nos últimos tempos

Comentários

comentários