Alguns estudos demonstram que cerca de 80% das mortes maternas são evitáveis se as mulheres tiverem acesso a serviços essenciais de maternidade e cuidados básicos de saúde como o acompanhamento pré-natal

O acompanhamento pré-natal define- se como sendo a terapia praticada nas visitas pré-natais, estágio da gravidez aquando da primeira visita, o número de doses da vacina antitetânica, o Tratamento Intermitente Preventivo (TIP) e outras intervenções essenciais. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam, no mínimo, 4 consultas pré-natais em intervalos regulares durante a gravidez.

Essas visitas ajudam a fornecer serviços essenciais às gestantes, incluindo medidas para identificação e tratamento da anemia, tratamento intermitente presuntivo da malária, imunização anti-tetânica, gestão de infecções sexualmente transmissíveis e terapia anti-retroviral para gestantes do VIH positivas e fornecimento de informações essenciais às gestantes sobre os riscos na gestação e no parto (UNICEF, 2009).

Segundo o Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2015- 2016 entre as mulheres de 15-49 anos que tiveram um nado-vivo nos últimos dois anos anteriores a grande maioria (82%) foi atendida em consultas pré-natais por pessoal de Saúde qualificado durante a gravidez do último filho nascido vivo.

As mulheres que residem nas áreas urbanas tendem a receber mais cuidados pré-natais por parte de um profissional de Saúde qualificado do que as que residem nas áreas rurais (92% contra 63%, respectivamente). Os resultados evidenciam igualmente diferenças entre as províncias, as mulheres residentes nas províncias de Cabinda, Zaire e Luanda apresentam percentagens acima de 90% (93%, 98% e 97%, respectivamente), enquanto as províncias do Uíge, Moxico e Cubando Cubango apresentam percentagens abaixo de 60% (59%, 54% e 56% respectivamente).

A chefe de departamento de Politicas Sociais, Margarida Lourenço disse que o recurso aos cuidados pré-natais aumenta com o nível de escolaridade. Entre as mulheres sem instrução, 60% tiveram consultas pré-natais com pessoal de Saúde qualificado, enquanto 96% das mulheres com nível de escolaridade secundário ou superior tiveram as mesmas consultas. A mesma tendência pode ser verificada por faixa sócio-económica. No total, 61% das mulheres fizeram 4 ou mais consultas prénatais, de acordo com as recomendações do Plano Nacional do Desenvolvimento Sanitário (PNDS, 2012-2025).

Entre as mulheres residentes nas áreas urbanas e rurais, existe uma enorme disparidade, sendo que 74% contra apenas 39%, quase o dobro). Aponta também disparidades entre as províncias, onde 83% das mulheres da província de Luanda tiveram 4 ou mais consultas pré-natais contra 32% das mulheres da província do Cuanza Sul. O nível de escolaridade também conta, verifica-se nos dados que, quanto maior é o nível de escolaridade, maior é a percentagem das mulheres que têm 4 ou mais consultas. Com efeito, a proporção de mulheres que tiveram 4 ou mais consultas é duas vezes maior entre as mulheres com nível de escolaridade secundário ou superior, em comparação com as mulheres sem instrução (81% contra 38%, respectivamente).

A mesma tendência pode ser verificada consoante a faixa sócio-económica. Por outro lado, as Infeções Respiratórias Agudas (IRA) constituem uma das causas dos altos índices de mortalidade e morbidade nos países em desenvolvimento De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as Infecções as Infecções Respiratórias Agudas provocam 19% de todas as mortes de crianças com menos de 5 anos em todo o mundo, sendo apenas superadas pelas mortes por malária, infecções perinatais e doenças diarreicas Um diagnóstico precoce e o tratamento imediato constituem o melhor procedimento para reduzir a mortalidade causada por estas infecções. Um dos sintomas de IRA mais facilmente reconhecíveis é a tosse acompanhada de respiração curta e rápida.

Entre as crianças com menos de 5 anos (0-59 meses) que tiveram sintomas de IRA, 49% das mães ou responsáveis das crianças procuraram aconselhamento ou tratamentos numa unidade de Saúde ou junto de um profissional de Saúde. Verifica-se uma diferença de 28 pontos percentuais entre a área urbana e rural (60% e 32%, respectivamente).

Prevalência da anemia nas crianças de 6-59 meses

A anemia é uma doença caracterizada pela diminuição da hemoglobina no sangue, que pode ter diversas causas, desde uma alteração genética à má alimentação ou associada à malária. Diz no inquérito que a anemia associada à malária constitui um problema de Saúde pública, à medida que as infecções da malária se vão repetindo, a criança pode desenvolver anemia porque os parasitas destroem os glóbulos vermelhos.

Todas as crianças de 6-59 meses de idade foram testadas no que toca à anemia, com base na medição de níveis de hemoglobina mediante a utilização do HemoCue Hb®, que revela os níveis de hemoglobina alguns minutos depois da recolha de sangue capilar. A anemia nas crianças de 6-59 meses pode ser classificada em três níveis, de acordo com a concentração da hemoglobina no sangue. Esta classificação foi desenvolvida por investigadores da OMS (DeMaeyer, 1989).

Em Angola, 65% das crianças de 6-59 meses de idade sofrem de algum tipo de anemia dos quais 31% de anemia leve, 32% de anemia moderada e 2% de anemia grave. A prevalência da anemia vária consoante a idade das crianças, sendo mais elevada nas crianças de 6-11 meses (83%), mas diminui a partir dos 12 meses, atingindo o valor mais baixo nos 48-59 meses (52%).

Relativamente às províncias, a prevalência da anemia é mais alta no Moxico e Cuando Cubango, com 75% e 77%, respectivamente, em comparação com o valor mais baixo registado na Lunda-Sul (50%). O Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2015-2016 (IIMS 2015-2016) foi realizado no período entre Outubro de 2015 e Março de 2016, faz parte da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Estatístico (ENDE) 2015-2025 e do seu Plano de Acção 2015-2017, bem como do Plano de Actividades do INE referente aos anos de 2015 e 2016.

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