De um tempo a esta parte, fala-se com bastante frequência sobre a perca dos valores morais e cívicos no seio da juventude e pouco se materializa a forma como se deve moldar os adolescentes para o resgate. Escolhi o título desta reflexão “ A perca dos Valores Morais: Geração Adulta versus Geração Nova ”, com o propósito de despertar nós adultos ,em particular, e a sociedade, em geral, da forma desapaixonada como encaramos o fenómeno.

O respeito pelos valores morais e cívicos em qualquer sociedade depende da forma como são transmitidos pelos adultos às gerações mais novas.

Normalmente, a transmissão começa a ser feita nos primeiros anos de vida do individuo no seio familiar que, sociologicamente, é chamada de socialização primária, segue-se nas instituições de ensino – socialização segundária- e com o passar do tempo aperfeiçoa-os a partir de observação e experiência obtidos ao longo da vida. São essenciais, pois, moldam o nosso comportamento, a forma de interacção entre as pessoas, contribuem na ordem do controlo social, bem como no desenvolvimento da cidadania de cada indivíduo.

Porém, são variáveis, ou seja, podem divergir entre sociedades, grupos sociais ou de individuo para indivíduos. Por exemplo,uma accão praticada por alguém ou grupo pode ser considerada correcta, enquanto para outros a mesma atitude é repudiada e tida como imoral.

Entretanto, existem valores como o de direito à vida que considero primordial e universal, razão pela qual está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Ultimamente, e com certa razão, no nosso país têm sido preocupação do Executivo, das Igrejas e da Sociedade em geral a problemática da perca dos valores morais no seio dos adolescentes (Juventude).É legítima a preocupação da sociedade sobre o fenómeno.

Mas, peca por a maioria atribuir este desvio de comportamento apenas às camadas mais jovens (consequências) e pouco se aborda sobre as principais (causas) que, no meu entender, parte da responsabilidade que recai para a geração adulta, que pouco se preocupa com a prevenção geral.

Jean-Jacques Rousseau afirmou: “o homem é bom por natureza, é a sociedade que o corrompe”. Senão vejamos: Numerosas investigações demostram que o comportamento desviante, por parte dos adolescentes, esta sempre associado ao consumo de drogas que, infelizmente, é realidade da sociedade angolana.

Ao invés de prevenirmos o consumo de drogas, nós adultos incitamos o uso das mesmas, principalmente mediante cartazes publicitários colocados em quase todas as ruas de Luanda, com os dizeres só para mencionar estes: “Tigra com garra, Nocal apetece, eu sou louca por ti. Da tua querida Eka quero dançar contigo”, como atractivo figuras de remone no domínio musical e do desporto. Permitimos a venda e consumo na via publica de bebidas alcoólicas, muitas empacotadas industrialmente em embalagem de plástico com a capacidade de 50 ml, que pelo fácil manuseio os adolescentes apelidaram de recarga ou impulso e outras drogas ilícitas.

O baixo preço das bebidas alcoólicas ex: 1 (uma) – gasosa custa Kz.100,00 ao passo que 1 (uma) – cerveja é vendida à Kz.75,00, o pacote com bebida espirituosa, custa 1 (um) – Kz.40,00), facilita os adolescentes em adquirir as mesmas, acrescido a isto a proliferação das chamadas janelas abertas. Caro leitor (a), o consumo de bebidas alcoólicas durante a adolescência pode interromper o processo do desenvolvimento cognitivo, causar a toxico-dependência, o insucesso e abandono escolar, prostituição, promiscuidade, a delinquência juvenil e outras atitudes reprováveis na convivência social.

Por um lado, para o bem da sociedade, de saúde sã aos nossos adolescentes e do resgate dos valores morais e cívicos, nós adultos devemos refletir seriamente em torno do fenómeno, criando mecanismos que possam contribuir para o combate à publicidade desregrada da venda de bebidas alcoólicas. Para tal, seria aconselhável que se promulgassem leis severas, porque as que existem são muito brandas.

Por outro lado, achamos que o combate ao fenómeno deve começar no seio da família, transmitindo ao adolescente o respeito ao próximo, os mais velhos não mandarem criança na compra de bebidas alcoólicas. Nas instituições de ensino promover-se palestras sobre a importância dos valores morais e cívicos e as consequências do consumo de drogas. Bem-haja.

*Sociólogo e Docente universitário
E-mail: cristiano672002@yahoo.com.br

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