As normas sociais e a sua implicação na promoção da mulher, igualdade de género e justiça social, estão em debate. Agentes de organizações da sociedade civil e governamentais se juntaram, numa acção do PNUD apoiada pelo Governo da Huíla, onde as discussões foram abertas e sem tabús.

Decorreu na cidade do Lubango, recentemente, uma formação sobre igualdade de gênero e empoderamento da mulher, organizada pelo PNUD, com o apoio do Governo Provincial da Huíla e financiado pelo Governo da Noruega, envolvendo 35 pessoas, maioritariamente mulheres. O projeto Promoção da Mulher Angolana das Organizações da Sociedade Civil conta com a participação da Protecção Civil e das organizações ADRA, ADPP (Ajuda de Povo para Povo) Promaica (organização feminina da Igreja Católica), FMEA (Federação das Mulheres Empreendedoras de Angola) e o Fórum das Mulheres Jornalistas Angolanas.

A estas se juntou a Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher. Aliás, coube à directora provincial da Família, Catarina Sebastião, a abertura do seminário de formação. Catarina Sebastião, na ocasião, falou sobre os esforços desenvolvidos pelo Governo na promoção da igualdade dos géneros e da importância das organizações da sociedade civil como parceiras na promoção dos direitos das mulheres. Do PNUD, agência do sistema das Nações unidas, Maria Casal, oficial do Género e gestora do projecto, disse que esta é a primeira acção do género a ser realizada fora de Luanda, tendo agradecido a prontidão com que o Governo Provincial da Huíla respondeu e apoiou o projecto.

“Nos anos anteriores as formações foram todas realizadas em Luanda, desta vez estamos aqui com o apoio do Governo Provincial e esperamos voltar a realizar nova acção, provavelmente em Maio, aqui numa das províncias do Sul do país”, disse Maria Casal. Delma Monteiro, ligada ao Observatório do Género, uma organização que pretende influenciar as políticas públicas para o foco nas questões do género e promoção da mulher, disse a OPAÍS que a sessão de ontem foi marcada essencialmente por discussões em torno do lugar da mulher na sociedade, aos olhos da modernidade, da igreja e das tradições africanas. “Há pontos de encontro e pontos divergentes. Houve muito debate em torno das normas que condicionam o papel da mulher. Pensa-se que mexer nestes temas é discordar dos cânones em que se baseia a sociedade”.

Questionada se tudo isso – já que os formandos depois actuarão nas suas comunidades – não estará a colocar uma semente para uma espécie de revolução, ela respondeu da seguinte forma: “Pode causar uma revolução nas sociedades, houve tempos em que os negros eram escravos e para a sociedade era mesmo assim, mas algum dia foi necessário começar, alguém querer alterar as coisas, e aconteceu a liberdade a a emancipação”. O que se busca é uma maior justiça social, avançou Delma Monteiro.

Neste particular, Maria Casal disse que “o principal desafio em África, para a igualdade de género, são as normas sociais”. Na formação que decorreu no Lubango, participam representantes das províncias da Huíla, do Cunene e do Namibe. O Cunene tem formandos da ADRA, ADPP e FMEA, a Huíla tem da Promaica e FMEA, enquanto o Namibe participa com representantes do Fórum das Mulheres Jornalistas de Angola e da FMEA. Outros participantes foram indicados pela Protecção Civil e pela Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher da Huíla

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