O novo acordo entre produtores de petróleo, que reduz a oferta mundial da matéria-prima em perto de 1,8 milhões por dia e que representa a única esperança de que o preço do barril de petróleo volte a valores compatíveis com as necessidades das economias dos países que dele dependem, começou hoje, dia 2 de Janeiro de 2017, a ser implementado.

O acordo foi negociado entre 14 países da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo a que Angola pertence, e 11 outros países exteriores à organização, incluindo a Rússia, actualmente o maior produtor mundial, a par da Arábia Saudita.

O objectivo confessado pela OPEP é colocar o preço do barril na fasquia de USD 60, um objectivo fixado para o terceiro e quatro trimestres do ano mas que não será difícil ser atingido mais cedo. Hoje, ao final da tarde de Luanda, os futuros de Brent (tipo de petróleo de referência para as ramas angolanas) negociava perto dos USD 57 no mercado de Londres (USD 56,82) e, a não ser que cheguem notícias que o acordo não está a ser cumprido por algum ou alguns dos subscritores, o preço não deverá descer deste patamar havendo mesmo tendência para subir.

Há muito tempo que a matéria-prima não passava o ano a subir de preço. Recuperou cerca de 50% do seu valor em 2016, um feito histórico, sendo certo que no início de 2016 desceu abaixo de USD 29 por barril, culminando a mais longa crise de preço da sua história, o que se explica pelo facto de o mercado ter mudado, com a entrada de novos produtores e, sobretudo, dos produtores de petróleo a partir do fraccionamento do xisto, norte-americanos.

O clima é de optimismo no que respeita ao petróleo. Os maiores fundos de capital de risco recomendam o investimento na commodity e os analistas mostram-se, em geral, favoráveis a uma subida do preço. Mesmo com o regresso do petróleo de xisto norte-americano. Não há qualquer razão para pensar que os países da OPEP e os seus novos parceiros cedam, pois teria sido mais fácil ficar de fora. O PAÍS soube que a OPEP afina os meios de aferição das diferentes produções envolvidas no acordo. “Se os países da OPEP aderirem totalmente ao acordo nos primeiros seis meses, o mercado deve ficar relativamente protegido do risco político porque esse isolamento está disponível”, disse Alan Gelder,  vice-presidente da consultora Wood Mackenzie, em declarações à agência de informação financeira Bloomberg. Para Gelder o mercado petrolífero pode ser um porto seguro para os investidores preocupados com o que vai fazer o imprevisível Donald Trump.

Uma boa notícia para Angola, cuja economia se ressente muito fortemente da crise do preço do petróleo, pelo peso decisivo que a  matéria-prima tem no conjunto das exportações do país, e pelo impacto que tem uma baixa do seu valor na economia angolana. Após um ano marcado pelo regresso da inflação, fortes restrições cambiais e drástico ajustamento das contas públicas, salvaguardando-se embora o investimento, este que agora entrou deverá trazer maior alívio nas contas externas e no mercado cambial com o regresso do preço do petróleo ao patamar mais elevado dos dois últimos anos. O que será facilitado pelo facto de o ajustamento orçamental já ter sido efectuado. Se a economia não-petrolífera reanimar, o saldo não-petrolífero (sempre fortemente devedor e indicador da dependência do petróleo) será cada vez mais equilibrado.

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