O ano de 2016 foi marcado, tal como no ano que lhe antecedeu, pela procura de soluções para que a economia se recupere da crise.

A diversificação foi a palavra de ordem na segunda metade do ano de 2015 e na primeira de 2016, chegando-se à constatação da necessidade de tempo e de recursos para que a mesma seja concretizada, uma vez que a economia depende inclusivamente da importação de inputs para a produção nos demais sectores. A estabilidade foi a palavra de ordem no segundo semestre de 2016. Na verdade, algumas das políticas adoptadas para contornar a crise geraram alguns impactos perniciosos indesejáveis na economia, como a desvalorização cambial e a redução dos subsídios aos combustíveis, sobre o nível dos preços.

Assim sendo, o que esperar do novo ano? Que decisões esperar dos policy makers?

A conjuntura para o novo ano económico deverá se traduzir em níveis moderados de inflação. Na verdade, a mesma capta as variações percentuais do índice de preços do consumidor e por essa razão, os aumentos anteriores geram uma base de cálculo maior para o novo ano. Isto é, contribui para que a taxa de inflação se situe em nível ainda inferior. À este facto, alia-se o abastecimento do mercado de bens ao fornecimento de produtos importados pelo Entreposto Aduaneiro, que tem contribuído para a satisfação da procura por parte dos agentes económicos de menor dimensão e acesso mais restrito às divisas cedidas pelos bancos comerciais.

Em termos de política cambial, o kwanza torna-se mais vulnerável dado o nível actual da procura de divisas, o volume de divisas vendidas pelo Banco Central, o fortalecimento do dólar com o aumento da taxa de juro pela Reserva Federal norte-americana assim como a rápida erosão das Reservas Internacionais Líquidas que já vão em aproximadamente 20 mil milhões USD, o que garante cerca de 6 meses de importações. Se a desvalorização do Kwanza, actualmente em cerca de 165 KZ/USD, é quase inevitável no novo ano, a flexibilização total da taxa de câmbio poderá ter sido afastada por completo dado o ênfase que o OGE do ano atribui à estabilidade do câmbio e à inflação, ambas com elevada relação entre si.

No que se refere às políticas fiscais, haverão poucas surpresas. O défice fiscal aparece como consequência inevitável da quebra nas receitas petrolíferas, prevendo- se que se situe em 5,8% do PIB em 2017. O endividamento destaca- se como o principal meio escolhido para colmatar a quebra, mas que ainda assim deverá passar de 61,9% para 52,7% do PIB como reflexo do aumento do PIB nominal. Por outro lado, o facto de se eliminar o tecto para o endividamento público não implica que se exclua por completo um cenário de endividamento elevado.

Outros instrumentos mobilizados para garantir a saúde financeira do Estado durante 2017, serão o maior esforço na arrecadação de impostos não petrolíferos e na promoção de incentivos à entrada de capital estrangeiro (Investimento Directo Estrangeiro). Por fim, no que se refere à política monetária, muitos são os Bancos Centrais a exercerem taxas de juro mais elevados que os congéneres angolanos, actualmente em 16%, o que impede que se descarte a totalidade a possibilidade do seu aumento caso a situação o exija.

Entretanto, o impacto da mesma sobre as demais taxas não pode ser negligenciado, com destaque para o impacto sobre as taxas de juro dos bilhetes do tesouro, que a cada incremento, agravam os custos de endividamento do Estado. Este pacote de políticas contribuirá para garantir alguma estabilidade à economia durante 2017, e caso se adicione à equação uma eventual subida no preço do petróleo, o cenário torna-se mais atractivo ainda. Entretanto, Angola e o mundo necessitarão de mais tempo para se refazerem na totalidade dos efeitos da actual crise.

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