A Associação de Apoio aos Albinos de Angola (4AS) acredita que a redução dos preços dos cremes medicinais pode reduzir os elevados casos de doenças da pele que a comunidade enfrenta

O presidente da A Associação de Apoio aos Albinos de Angola (4AS), Domingos Vapor, apelou à participação do Estado na redução dos preços dos produtos cosméticos destinados ao tratamento da pele das pessoas albinas. O responsável associativo, que falava ontem ao OPAIS à margem de um encontro com membros directivos da sua agremiação, disse que, por falta de condições financeiras, a maior parte das pessoas albinas não usam nenhum tipo de creme protector.

E, devido à exposição ao sol e à poeira a que são submetidas, muitos acabam por contrair uma série de doenças da pele, tendo mesmo em al-guns casos resultado em morte. Porém, esses males, no entender de Domingos Vapor, podem ser reduzidos caso haja uma intervenção do Estado na expansão e redução dos preços dos produtos cosméticos para os albinos. “Infelizmente, os preços dos produtos para o tratamento da pele são muito caros.

E nós não temos condições de suportar. Com isso, temos vindo a assistir a muitas mortes. O que é lamentável. Já com uma intervenção do Estado a situação pode melhorar”, explicou. De acordo ainda com o presidente da 4AS, a situação é mais crítica a nível das províncias de onde saem regularmente albinos que escalam Luanda em busca de tratamentos e de ajudas. Muitos, conforme deu a conhecer, acabam por não chegar à capital do país e morrem ao longo do caminho, porque saem das suas zonas de origem já com um estado avançado de doenças.

“Infelizmente, alguns albinos só procuram por assistência médica quando já estão na fase terminal. E nós, enquanto associação, sentimo-nos impotentes porque também enfrentamos dificuldades. Por isso é que estamos a clamar ao Estado para que olhe por nós. Sin-ta os nossos problemas”, atestou Segundo ainda Domingos Vapor, a ausência de um programa sanitário público de apoio específico às pessoas albinas tem feito com que muitas crianças com esse tom de pele acabam por desistir da escola por causa das dificuldades de protecção. “Normalmente as escolas ficam distantes de casa.

E de tanta exposição ao sol, os menores acabam por contrair feridas. Como solução, os pais privam os filhos de saírem de casa. É uma situação triste que estamos a viver. Toda a ajudar é necessária”.

Negociação Devido à gravidade da situação, Domingos Vapor fez saber que a sua associação tem agendado, para a próxima semana, um encontro com o ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, para, entre outras preocupações, discutir um programa sanitário de apoio aos seus associados. “Estamos a preparar a lista das preocupações para levar ao responsável máximo da Saúde.

Portanto, não queremos nada de borla. Mas queremos alguma facilidade para melhorar a nossa condição e qualidade de vida. E as entidades devem nos ouvir”, avançou.

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