O embaixador de Israel em Angola foi ao Ministério das Relações Exteriores pedir explicações mas não se fez acompanhar da respectiva “Nota Verbal”, um documento recomendável por regra diplomática universal para situações do género.

A suspensão das relações diplomáticas entre Israel e Angola estiveram em discussão nesta terça-feira, na sede do Ministério das Relações Exteriores, em Luanda, entre o director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais, Joaquim do Espírito Santo e o embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Israel em Angola, Oren Rosenblat. Em causa está a decisão do governo israelita em suspender as relações com os países, entre os quais Angola, que votaram a favor da resolução da ONU que condenou a construção de colonatos na Cisjordânia e na Palestina. Na ocasião, o diplomata israelita manifestou o descontentamento do seu país pela posição assumida por Angola no Conselho de Segurança da ONU sobre o problema israelo-palestiniano.

As autoridades angolanas prometem pronunciar-se sobre o assunto desde que Israel, através da sua representação em Angola, apresente uma nota oficial. A Direcção de Comunicação Institucional e de Informação do Ministério das Relações Exteriores referiu ontem, em nota de imprensa, que o embaixador de Israel não se fez acompanhar da respectiva “Nota Verbal”, um documento recomendável por regra diplomática universal para situações do género. Por esta razão, refere o documento, o Governo angolano vai aguardar por uma nota oficial das autoridades israelitas sobre o assunto. Num vídeo publicado nesta Terça- feira, na sua página de facebook, o embaixador de Israel em Angola, Oren Rosenblat, afirmase “decepcionado” com o governo angolano, acrescentando que Israel e Angola são países amigos e que essa amizade deveria ser mostrada nas Nações Unidas.

“Estamos profundamente decepcionados e indignados pela posição tomada por Angola no Conselho de Segurança. Essa resolução ignora completamente a história”, frisou. Oren Rosenblat reforçou ainda a decisão que já havia sido comunicada anteriormente pelo primeiro- ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de limitar as relações com os 12 países que apoiaram a decisão da ONU. Dentre as medidas de retaliação conta a que impede os ministros do governo de Israel de não visitar esses países bem como a limitação de contacto com as embaixada em Israel. Para Oren Rosenblat, a questão “Israel-palestiniana”, deve ser resolvida através de negociações bilaterais directas e sem condições prévias afirmando “não ser  aceitável que países amigos levem as suas diferenças para o Conselho de Segurança”. “ Aguardamos infinitamente os palestinianos para retomar as negociações.

Acreditamos que a nova administração dos Estados Unidos da América terá uma abordagem completamente diferente”, disse. Para si, a resolução 2334 não promoverá em nenhum caso a paz, mas sim endurecerá as posições palestinianas e prolongará o alcance da paz. De acordo com o site israelita Ynet News, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu prepara-se para anunciar o cancelamento do programa de assistência a Angola, em retaliação do apoio à resolução da ONU sobre a construção de colonatos.

As relações diplomáticas entre Angola e Israel tiveram início em 1993. Dois anos depois, em 1995 o Estado de Israel abriu a sua Embaixada em Luanda e, em 2000, Angola abriu a sua representação diplomática em Tel Aviv. O Estado de Israel e as empresas israelitas investem em Angola com o objectivo de reforçar a cooperação entre dos dois países em várias áreas. Hoje esta cooperação consiste sobretudo em programas nas áreas da agricultura, saúde, educação, aviação, construção civil, pescas, diamantes, segurança e telecomunicações. Além de Angola, a suspensão estende- se à Rússia, França, Espanha, Reino Unidos, China, Japão, Egipto, Uruguai, Ucrânia, Senegal e Nova Zelândia. Malásia e Venezuela, que também promoveram a resolução.

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