A agência de notação financeira Moody’s considerou que Angola e Moçambique estão entre os países africanos que vão enfrentar os maiores problemas de liquidez este ano.

A agência de notação financeira Moody’s considerou ontem que Angola e Moçambique estão entre os países africanos que vão enfrentar os maiores problemas de liquidez este ano devido à queda dos preços das matérias-primas. No seu relatório sobre os ‘ratings’ dos países da África subsaariana, a Moody’s diz que “o impacto negativo na liquidez resultante do choque dos preços do petróleo e das matérias- primas vai estar principalmente concentrado no Gabão, Moçambique, República Democrática do Congo e Zâmbia, mas também será evidente em Angola e, em menor extensão, na Nigéria”.

Com o título ‘Perspectiva Negativa num contexto de stress de liquidez, baixo crescimento e risco político”,o documento sublinha que, “no final do ano passado, a Moody’s tinha revisto em baixa um terço dos 19 países analisados na região, em média em dois níveis, o que compara com as 29 descidas nos ratings a nível global, representando 22% dos 134 países analisados” pela agência de notação financeira. Cinco dos sete países que viram o ‘rating’ descer, entre os quais estão Angola (B1 com Perspectiva de Evolução Negativa) e Moçambique (Caa3 com Perspectiva de Evolução Negativa), “têm, de facto, uma Perspectiva de Evolução Negativa, sublinhando a visão da Moody’s que as pressões que levaram à descida do ‘rating’ vão persistir em 2017”, segundo os analistas.

No que toca a Angola e Moçambique, ambos estão neste caso e ambos têm um ‘rating’ de recomendação de não investimento, ou seja, ‘lixo’ ou ‘junk’, como é tradicionalmente conhecido. Em média, a Moody’s antecipa para este ano um crescimento económico de 3,5% nos países analisados nesta região, o que representa uma subida face aos 1,5% antecipados em 2016. “No entanto, o valor vai variar significativamente na região; os países que estão dependentes das exportações de matérias-primas vão ver a sua actividade económica limitada em 2017”, lê-se no relatório.

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