Superação da curva da procura de energia no país somente quando Laúca entrar em serviço. A conferência de imprensa programada no AH-Cambambe serviu para o ministro anunciar que apagões vão continuar até final do ano

O titular da pasta da Energia e Águas do Executivo angolano, João Baptista Borges, pediu desculpas, mas aproveitou a oportunidade criada com a realização da conferência de imprensa no Aproveitamento Hidroeléctrico de Cambambe para reiterar que os apagões no país, particularmente em Luanda, podem prosseguir até ao Natal de 2016.

Segundo o ministro, os sacrifícios actuais são “necessários e inevitáveis” e visam o alcance de uma situação de diminuição do deficit de produção de electricidade no país, o que vai representar “uma diminuição da procura”.

João Baptista Borges asseverou que os sacrifícios actuais são recorrentes no aproximar do mês de Dezembro uma situação que se deve ao elevação do consumo nesta altura do ano.

“O consumo da energia eléctrica tem uma variação sazonal. Quando chega o tempo quente, e porque todas as pessoas que têm ar condicionado os ligam, o consumo sobe e com esta subida, uma vez que a disponibilidade de produção não acompanha este aumento, então sobe o deficit”.

Outro factor estrangulador no fornecimento de energia eléctrica à Luanda reside no aumento exponencial de consumo que cresce ao ritmo de 23% ao ano, o que de 4 em 4 anos duplica a demanda.

Segundo o governante, o “crescimento galopante das necessidades energéticas na província de Luanda” decorre do seu ritmo de crescimento acelerado, quase desordenado e onde todos os dias se constrói novos edifícios, fazem-se novas ligações domiciliares em consequência do surgimento de novas zonas habitacionais.

“O aumento do consumo devia ser seguido do aumento da oferta da energia. Na verdade este aumento são os grandes empreendimentos que estão a ser erguidos neste momento e um deles é este em que nos encontramos”.

Todavia, segundo o ministro, a injecção deste aumento da capacidade de produção no sistema gera perturbações no consumidor final, atendendo que têm de ser harmonizados, por exemplo, a convivência entre a infra-estrutura velha e a nova. “Vejam que Cambambe, até o final do ano, da combinação entre as duas centrais, passa de uma capacidade instalada de 180 mega watts (MW) para 960 MW”. Segundo o ministro, a mudança é brusca e é natural que se registem perturbações no sistema.

João Baptista Borges assegurou que, se as coisas correrem de feição, até ao último dia deste mês a cidade de Luanda poderá experimentar uma sensação de alívio com a entrada da “potência total combinada entre a central 1, cujas máquinas estão a ser acondicionadas para saírem de uma anterior capacidade máxima de gerarem 45 MW para a nova que é de 65 MW, feito a que se deve ao alteamento da barragem em pouco mais de 30 metros”.

Cambambe 1 e 2, Ciclo Combinado do Soyo e Laúca vão permitir que o país passe a ter uma capacidade de 5 mil MW, o que, segundo o titular da pasta, vai igualmente permitir que seja “suplantada a curva da procura de energia que neste momento é de cerca de 1500 MW mais os 23% de crescimento/ano”.

O titular da pasta da Energia e Águas do Executivo angolano pede complacência de todos os consumidores, particularmente os da capital do país, porquanto o presente sacrifício poderá representar uma melhor condição no fornecimento de electricidade ao país nos próximos tempos.

A conferência de imprensa decorrida no Aproveitamento Hidrolectrico de Cambambe foi mais uma das muitas promovidas recentemente pelo GRECIMA no âmbito da nova estratégia de comunicação do Executivo angolano.

O evento teve o condão de ser a primeira iniciativa do género a ser realizada longe do conforto dos gabinetes em Luanda, o que, segundo uma fonte daquela instituição, pode marcar o início de um processo de levar a iniciativa a paragens para lá da capital angolana.

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