Os 29 arguidos que no passado mês de Fevereiro desviaram, alegadamente, 123 camiões cisternas de combustível destinados a abastecer as centrais térmicas da cidade do Lubango, província da Huíla, vão ser apresentados ao Tribunal Provincial da Huíla ainda este mês de Julho

O Procurador-Geral da República da Província da Huíla, Adão do Nascimento, informou na última Quinta- feira (29 de Junho), na cidade do Lubango, que já estão reunidas todas as condições da parte da Procuradoria Geral da República para a legalização da prisão dos acusados.

“O processo continua a sua tramitação normal, vamos agora no 4º mês de situação carcerária dos arguidos supostamente envolvidos nesse processo. Está a terminar o prazo de prisão preventiva dos 29 arguidos e tão logo esse prazo termine, contamos remeter o processo para o tribunal, a fi m de poder ser feito o Julgamento”, afirmou Adão do Nascimento, sublinhando que já não existem mais elementos envolvidos no referido processo. Numa avaliação do processo, o responsável do Ministério Público admitiu que a situação “causou enormes prejuízos”.

No total, segundo Adão do Nascimento, o Governo perdeu cerca de 581.000.000,00 (Quinhentos e oitenta e um milhões de Kwanzas) com o desvio dos 123 camiões cisternas de combustível que eram destinados a garantir o pleno fornecimento de energia eléctrica ao município do Lubango.

A perda dos valores monetários acima aludidos, explicou Adão do Nascimento, é resultante da destruição de um total de 24 mil litros de combustível, dos 35 mil litros apreendidos no mês de Fevereiro último. “Efectuada a perícia pelos técnicos da SONANGOL, nos combustíveis apreendidos, constatou- se que este produto já não apresenta as qualidades para aquilo que era destinado inicialmente, ou seja, para as turbinas da central eléctrica da PRODEL e, nessa perspectiva, não podendo o combustível ser devolvido à SONANGOL e muitos menos ser entregue à empresa destinatária, no caso a PRODEL, o passo seguinte consistiu na destruição do combustível apreendido.

Numa primeira fase foram destruídos 24 mil litros e isso representou para o Estado um prejuízo avultado em dezenas de milhões de Kwanzas”,disse. Na cidade do Lubango, os consumidores já estão a sentir as consequências deste desvio, pelo facto de o fornecimento de energia eléctrica estar a ser processado com restrições, ou seja, das 16 horas e 45 minutos até às 6 horas do dia seguinte.

A situação está a preocupar os consumidores de energia eléctrica em toda a província. Alguns populares ouvidos por este jornal garantiram ter perdido muitos bens alimentares por falta de condições de conservação. Moisés Agostinho Nahenda, de 23 anos de idade, afi rma que os prejuízos em sua casa são enormes.

“Já perdemos muita coisa em casa, desde os frescos por falta de energia, até à baixa de rendimento na escola, pelo facto de não ter condições para estudar e fazer os trabalhos escolares solicitados pelos professores. Não dispomos de fonte alternativa, isto é, gerador”, explicou.

Domingos Tchilingo, serralheiro, disse por seu turno a OPAÍS que nos últimos tempos não tem produzido nada na sua ofi cina, porque a energia eléctrica só restabelece no período nocturno. “Aqui a energia só vem de noite e para serralheiros torna-se difícil trabalhar nessas condições. Nem sei por quê criaram o tal sistema pré-pago! Nós não pagamos para ter energia eléctrica de forma passiva, gostaria que resolvessem esse problema o mais rápido possível”, defendeu.

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