As ‘contas’ que condenaram Nataniel Nataniel Ângelo Gaspar Rodrigues Mingas, condenado a 24 anos de prisão, concebeu e executou um crime cujos autos fi caram mergulhados em números. Desde a venda do terreno até à morte, bem como a divisão do dinheiro resultante da burla por defraudação. Eis as contas que condenaram o cidadão de 36 anos que projectou a morte de 4 chineses por 36 milhões de Kwanzas

120 milhões de Kwanzas é o valor global a que Nataniel vendia o terreno do pai (sem este saber) aos 4 chineses vítimas nos autos. Localizado no Benfi ca, o terreno de 2,4 hectares custou a vida dos cidadãos a 17 de Janeiro de 2015, tendo sido espancados e queimados vivos.

1008 é o número do processo em que vêm acusados, para além de Nataniel, outros 15 réus, três dos quais foram julgados à revelia, nomeadamente Yuri, Jesus e Talangô. O processo esteve a cargo da juíza Tânia Mandume, da 7ª Secção do Tribunal Provincial de Luanda e durou dois meses de julgamento.

36 milhões de Kwanzas, 30% do valor global, foi o que os chineses pagaram inicialmente pelo terreno, após Nataniel terlhes apresentado João Camuyoto como seu pai. Depois deste pagamento estava previsto outro, mas já com os documentos do terreno em mão. Documentos estes que Nataniel não entregava e fez com que os chineses o pressionassem.

4milhões de Kwanzas foi a primeira quantia paga por Nataniel a Manuel Quissua ‘Fred’ para tirar a vida dos chineses, dada a pressão que faziam. Fred gastou o dinheiro e não fez o trabalho. Nataniel recorreu ao cunhado que é polícia, Jaime Eduardo, com a promessa de lhe pagar dois milhões de Kwanzas. Jaime recebeu a primeira parte do valor, não fez o trabalho, e nunca viu a segunda parte.

800 mil Kwanzas foi o valor que Nataniel pagou aos sete militares que executaram o trabalho que culminou na morte dos chineses. Como se não bastasse, Nataniel deu o carro Hyundai IX35 dos chineses aos militares, alegando que era pertença de seu pai.

1milhão e 50 mil Kwanzas foi o valor da venda da viatura a Isaías Ferro (que por isso foi condenado a 1 ano e seis meses). A viatura inicialmente estava a ser vendida a um milhão e 200 Kz, mas por falta de documentos Isaías pagou aquele valor. O dinheiro foi dividido em partes iguais entre os militares.

6 milhões foi o valor pago aos intermediários do terreno, Sandra de Almeida e Fernando da Silva. Sandra, por sua vez, entregou 300 mil Kwanzas a João Camuyoto por ter acompanhado Nataniel no encontro com os chineses. João dividiu o mesmo dinheiro com Pedro Bento da Costa, seu amigo que o apresentou a Nataniel.

350 mil Kwanzas foi o total recebido por João Camuyoto, ‘Kota do Bizno’, por ter acompanhado Nataniel como pessoa idónea, como o indicou o amigo Pedro da Costa, que também recebeu 350 mil Kz.

17 milhões de Kwanzas é o valor que Nataniel queria ter como saldo positivo na sua conta bancária, para que pudesse benefi ciar de um crédito bancário. Disse em julgamento que a intenção não era matar os chineses e sim usar o dinheiro destes e tão logo lhe fosse concedido o crédito, devolver a mesma importância.

8 milhões de Kwanzas foi o que restou nas mãos de Nataniel, segundo o mesmo, depois de quase todo o dinheiro gasto com os intermediários, os “assassinos contratos” e a abafar as chantagens que alega ter sofrido por parte de João Camuyoto, ‘Kota do Bizno’. Com este dinheiro comprou uma viatura Kia Sportage para a sua esposa e fez obras na sua residência.

60 anos é a idade a que chegará Nataniel, caso cumpra a pena na totalidade. É a segunda vez que Nataniel é julgado e condenado pela 7ª Secção e acusado pela mesma representante do Ministério Público, Yamanjá Videira. É técnico de segurança industrial, estudante do 1º ano de Direito e pai de cinco filhos.

 16 é o número de réus arrolados no processo e, segundo a acusação do Ministério Público, 16 dias foi o horizonte temporal que Nataniel teve para planear a morte dos chineses. Do total de réus, dois foram absolvidos, três militares fugiram, os quatro restantes foram condenados a 23 anos de prisão.

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