O secretário provincial do Sindicato Nacional de Professores (SINPROF) na Huíla, João Francisco disse nesta Quarta-feira, na cidade do Lubango, que o atraso dos salários verificado um pouco por todo o país, está a contribuir para o absentismo de professores nas escolas do interior da província.

João Francisco, disse em exclusivo, a O País, que casos de ausência dos professores nos seus locais de trabalho foram registados em algumas escolas dos municípios de Caluquembe, Matala, Chicomba, Chipindo, Kuvango, Gambos e Lubango.

“Neste momento devemos dizer com toda a sinceridade que todos os municípios estão afectados por essa crise. Que a verdade seja dita: não há aulas porque nós fizemos uma ronda, aqui a nível da cidade do Lubango, onde constatamos que os professores não foram porque não têm táxi” disse.

O sindicalista, adiantou que, a situação vai comprometer os resultados do processo de ensino e aprendizagem esperados para o presente ano lectivo, que já se encontra no declinar do terceiro trimestre. João Francisco, afirmou que os funcionários já se encontram há dois meses sem os seus ordenados, o que constitui uma autêntica violação aos direitos do trabalhador e um atropelo à qualidade do produto final do trabalho do professor.

“O que surpreende é que essa falta do salário de um funcionário, hoje resulta em passar dois meses sem ele, e isso já é grave. Porque nós a nível da província da Huíla, temos professores que trabalham em zonas extremamente difíceis em chegar lá, não há acesso, alguns chegam a pé porque não há outra alternativa, então quando há falhas de salário, o problema no sector da educação complica-se” adiantou.

O secretário Provincial do SINPROF considera ser uma violação ao direito do trabalhador e acrescentou que, quem está a criar as condições para violar a lei é o próprio Estado angolano. “São os nossos governantes porque eles não cumprem com o pagamento dos salários segundo o que está estabelecido por lei, mas marca faltas para amanhã o trabalhador ser penalizado”, desabafou.
João Francisco, adiantou que, o facto está a gerar um descontentamento da parte de muitos docentes da província da Huíla, principalmente dos municípios mais longínquos do território huilano.

“Hoje à nível da Província da Huíla o descontentamento é total, os professores estão insatisfeitos! ” esclareceu.

Por outro lado, João Francisco, questionou o atraso verificado nos salários, pelo facto de durante o anúncio da crise economia e financeira que assola o país, ter sido dito pelos governantes que estavam salvaguardados os salários dos funcionários angolanos.

“Quando se ventilava a própria crise, tendo em conta a queda do preço do Barril de petróleo em Janeiro, muitos dos nossos governantes saíram a público para dizer que Angola não estaria afectada e em segundo, que o salário do funcionário angolano estaria salvaguardo, isso foi-nos dito varias vezes, então por quê essa demora” interrogou.

Premissa para a Greve

O Secretario Provincial do SINPROF disse, que o atraso que se regista no pagamento dos salários relativos ao mês de Junho, constituem uma premissa para a realização de uma possível greve.

“A greve tem sido criada pelas próprias condições, nós temos dito que quem cria a grave é o próprio Governo. ” revelou.

Apesar de tudo, João Francisco, explicou que, o SINPROF enquanto parceiro da direcção provincial da educação, tem estado a fazer tudo, no sentido de salvaguardar a conclusão exitosa deste ano lectivo.

“ Temos estado a fazer tudo por tudo para que este ano termine sem sobressaltos, sabeis que nós já tivemos o ano 2013 com muitas convulsões, tivemos 2014 também com muitas convulsões, então queríamos ver se este ano se termina de forma pacífica, mas com o diálogo a ser respeitado. Agora, o problema qual é? O problema é que os nossos governantes nunca respeitaram a voz do trabalhador, porque cada governante pensa que o trabalhador é aquela pessoa que podem pisar, é aquela pessoa que nós podemos menosprezar, é aquela pessoa que não tem opinião, não tem valor na sociedade” rematou

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