O Instituto Nacional do Café (INCA) no Cuanza-Sul prevê que a redução da colheita deste produto de 3.842 para 2.839 toneladas no presente ano agrícola, em consequência da ausência prolongada de chuvas nesta província, o poderá reflectir-se na exportação

A procura pelo café produzido na província do Cuanza-Sul em países como Portugal, Espanha e Alemanha, para onde é exportado, aumentou significativamente e os cafeicultores nacionais não estão em condições de satisfazê-la, de acordo com o chefe do departamento do INCA nesta província, Magalhães Alfredo Lourenço.

Em declarações à Media Nova (OPAÍS e Rádio Mais), na Sexta-feira, 16, o engenheiro agrónomo esclareceu que apenas conseguirão satisfazer a demanda se mais empresários investirem no sector, passando assim para a agricultura mecanizada, sobretudo, nas zonas passíveis deste processo como Cassongue, Mussende e o Waku Kungo.

A melhoria das vias de acesso aos campos de cultivo e a criação de condições para a fixação das populações nestas áreas constam também entre as preocupações que carecem de ser resolvidas. “É um trabalho que tem de ser feito. É um trabalho integrado que não depende simplesmente do Instituto Nacional do Café, porque há outras componentes que têm que ser envolvidas nisso”, frisou.

No entanto, segundo Magalhães Lourenço, o mau estado das vias não tem inibido os pequenos produtores, principalmente dos municípios de Cassongue e Mussende, onde há maiores plantações. Na esperança de se melhorar o quadro, a sua equipa se tem desdobrado para atrair empresários que actuam em outros ramos a investirem neste sector e está a surtir efeitos.

Alguns deles aderiram, apostando na agricultura mecanizada, como são os casos da empresa MCA, que arrancou com a plantação de 100 hectares de café, no Waku Kungo, e da fazenda Cambondo, que fez o mesmo na Quibala.

À semelhança do que acontece com os cafeicultores, os empresários que decidirem apostar neste segmento não terão dificuldades em adquirir as mudas, por existir nesta província um viveiro que só no ano passado produziu 953.000 pés, 70 por cento das quais de café arábica.

O empreendimento, que resulta de uma parceria público-privada, abastece também de plantas os cafeicultores do Bié, Benguela e Huambo.

“É uma aposta séria que a instituição fez para alargar as áreas de produção do café, mas tem que existir mais envolvimento dos produtores e de outros actores”, disse o engenheiro agrónomo. Acrescentou de seguida que “o sector empresarial privado tem que participar activamente neste sentido, porque, actualmente, atingir as cifras que se pretende”.

120.000 hectares disponíveis

Dos 120.000 hectares para a produção do “bago vermelho” disponíveis, apenas 18.600 estão a ser explorados, maioritariamente, em sistema de agricultura familiar, na ordem de 96 por cento. No ano passado obteve -se uma safra de 3.842 toneladas de café comercial.

Ainda não foi apurada a cifra deste ano porque a colheita está apenas na sua segunda semana, na qual já se contam 184 toneladas de café coco, mas se estima que poderá ser de 2.839 toneladas, em consequência da ausência prolongada de chuva nesta província.

Depois deste processo, há empresas que se encarregam de comprar o produto aos camponeses, com o acompanhamento do instituto, e fazem a comercialização tanto em Angola como no exterior.

Face às dificuldades que os produtores enfrentam, no que diz respeito as actividades agro-técnicas, alguns comerciantes vão cedendo créditos pontuais. Na safra passada foi cedido um montante de treze milhões de Kwanzas, o que representou um reembolso em espécie na ordem de 126 toneladas de café coco.

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