A candidatura de Carlos Pinho à presidência da Convergência Ampla para a Salvação de Angola (CASA-CE) está a ser apontada como irregular em alguns círculos da coligação, pelo facto de o mesmo possuir uma eventual nacionalidade adquirida, segundo uma fonte bem colocada.

Chamado a reagir sobre a questão, Carlos Pinho considerou as acusações como “um conjunto de tabús que existem na cabeça de muitas pessoas a quem interessa que se faça polémica à volta do assunto por interesses inconfessáveis”.

“Como compreenderá, todas as candidaturas foram sujeitas à analise quanto a impedimentos e irregularidades por parte do órgão competente e independente, portanto a comissão eleitoral, que age no âmbito da preparação do congresso da CASA-CE. E sendo eu também jurista e advogado, há de convir que sou a primeira pessoa que estará preocupada em cumprir com toda a legalidade em toda a sua extensão”, acresentando que nasceu em Angola, mas que teve como primeira nacionalidade a portuguesa, como todos os que se registaram antes da Independência em Angola. “Eu nasci em Angola. A primeira nacionalidade que toda a gente teve que se registou antes da Independência foi a portuguesa, é outra coisa, que as pessoas esquecem. A primeira nacionalidade que eu tive foi portuguesa, isso é nacionalidade adquirida? Não. É o que se chama direitos naturais aos quais ninguém pode renunciar”, frisou.

Igualmente contactado para se pronunciar sobre o assunto, o presidente da comissão eleitoral, Machado Jorge, disse não confirmar Candidato é acusado de possuir nacionalidade adquirida, o que contraria o regulamento eleitoral da coligação. Este, por seu turno, nega tais acusações e atribui-as a pessoas nutridas de objectivos inconfessos nem “desconfirmar” a informação, que somente o próprio pode fazê-lo. “Eu não posso confirmar nem desconfirmar, só o próprio é que pode fazê-lo. Ele é angolano de origem e afirma que não tem nenhuma nacionalidade adquirida. Portanto, não está abrangido por nenhuma ineligibilidade”, frisou.

Segundo Machado Jorge, o regulamento da Coligação exige que o candidato à presidência da CASA- CE não pode ter nacionalidade adquirida. “A informação que a Comissão passou por meio de um comunicado é que foram avaliadas as candidaturas, à luz do regulamento e não apresentam nenhuma ineligibilidade. São elegíveis e não apresentam nenhuma ineligibilidade. Foi o que a nossa comissão constatou”, sublinhou. Quanto ao processo eleitoral, disse estar a correr com normalidade, estando neste momento os candidatos em fase de campanha eleitoral, que vai decorrer até ao dia 4 de Setembro, dois dias antes do início do Congresso. O processo decorre na normalidade neste momento, na fase em que estão aprovadas as candidaturas de João KalupeteKa, Carlos Pinho e Abel Chivukuvuku, presindente cessante “O processo de campanha em curso encerra a 4 de Setembro, dois dias antes do inicio do Congresso. Eles estão neste momento em fase da campanha que é o momento em que devem prestar todas as informações sobre os seus projectos eleitorais”.

Sobre Carlos Pinho

José Carlos de Bessa Pinho, apresentou esta Quinta-feira os pontos da sua candidatura, em Luanda. Estudou e viveu em Portugal durante muitos anos. Cresceu em Portugal e formouse em contabilidade e administração no Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto. Com uma pós-graduação em gestão financeira, actualmente Carlos Pinho é consultor. Em 1990 iniciou a sua actividade profissional. Trabalhou depois na PwC, uma das principais firmas do sector, onde fez carreira em auditoria e consultoria. Foi através da PwC que voltou ao país para ficar e viver, tendose envolvido na política, primeiro como militante do MPLA (em 2006), de que se afastou anos depois e agora milita na CASA-CE. Em Junho de 1992, voltou pela primeira vez ao país após a sua ida à Portugal.

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