Com os melhores cumprimentos e na convicção de que a imprensa isenta, que me parece ser o jornal que o senhor dignamente dirige, é a voz dos sem voz, venho por este meio dar a minha voz para divulgar uma situação que me atingiu abruptamente e irá, seguramente, atingir muitos outros infelizes angolanos, os excluídos. Sou um ancião de 83 anos de idade, reformado com uma mísera pensão da segurança social, com encargos familiares e uma existência quase sub-humana.

Vivo na cidade do Lobito em casa própria há cerca de 50 anos e pagava até o ano passado 6.978,00 kwanzas de Imposto Predial Urbano. Assim, consciente como sempre dos meus deveres como homem e como cidadão, fui no dia 03-01-2017 à Repartição Fiscal do Lobito, munido daquele valor, para pagar o dito imposto predial do ano agora iniciado e qual não foi a minha surpresa e desgosto quando fui “Fulminado” em relação ao que pagava anteriormente! E isto dito com uma frieza glacial sem qualquer condimento para preparar e relaxar a vítima pagante.

A meu ver, o tão brutal aumento do imposto de um bem tão essencial que é a habitação é demasiado excruciante para os já física e psicologicamente exaustos angolanos de baixa renda, sabida que é a crítica situação socioeconómica actual da maioria do povo angolano. O negligenciamento dessa triste realidade por parte de quem ditou tão drástica sentença assim como o abandono, deliberado ou não, do preceituado nos artigos 82 e 83 da Carta Magna da República de Angola que particulariza a situação dos cidadãos idosos e ou deficientes como eu, faz pressupor, à partida, que o legislador pretendeu acima de tudo mostrar obra e autopromover- se, o que é francamente mau mas, infeliz e lamentavelmente, se tornou rotina nesta nossa terra; nesta Angola de todos os angolanos.

Não é que eu, um ínfimo grão de areia no deserto, seja contra os impostos, ou reajustamento como eufemisticamente lhes chamam agora. Não. Sou suficientemente adulto para saber que os impostos são necessários em qualquer país do mundo. O que me custa a digerir de cara alegre é a brutalidade dos seus aumentos absolutamente incompatíveis com a exaurida bolsa da maioria dos angolanos, e também como são cobrados.

Pois, não faz nenhum sentido que um milionário pague o mesmo valor que um idoso, um pobre, um deficiente ou outro cidadão que nada mais tem senão a habitação em que vive, ou vegeta, com a sua família. Mais de 700% de aumento no imposto de um bem tão necessário a um ser humano que desde há muito se afastou das cavernas, e logo a seguir àquele autêntico “DILÚVIO” que foi o também brutal aumento do preço da água, luz, combustíveis e telecomunicações, é demais. É desumano!

Comentários

comentários