Director do jornal O PAÍS, muito obrigado pela oportunidade que me dá nesta edição. O vosso matutino tem contribuído para a resolução de alguns problemas sociais. Caro director, sou morador do Cassequel do Buraco, distrito da Maianga, província de Luanda, desde o ano 2000, ou seja, há dezassete anos. O Posto de Saúde do meu bairro, neste momento, não tem condições para atender os pacientes.

Os problemas são tantos. Os médicos, as vezes, não sabem dar resposta positiva aos casos que lá chegam. No Posto de Saúde do Cassequel falta quase tudo. Água, luz e outros aspectos técnicos para a realização de exames médicos básicos. Os pacientes que acorrem aos serviços do Posto são obrigados a fazerem exames de paludismo fora do hospital, porque ou falhou a luz ou falhou um ou outro material. A noite, os partos são realizados com muito risco. Se falhar corrente eléctrica, o gerador não tem combustível. Isto põe em risco a integridade física das pacientes, além de que atrapalha o trabalho dos médicos e enfermeiros.

Os técnicos de saúde, apesar de algumas falhas, são autênticos heróis, porque estão sempre preparados para socorrerem e quando não dá, transferem o paciente para uma unidade maior, neste caso Josina Machel ou Hospital do Prenda. A higiene é outro problema no Centro de Saúde. Apesar de haver limpeza, a poeira e outros agentes já estão viciados no local. Uma unidade hospitalar, o que se sabe, é um local de combate ao lixo. Peço, humildemente, a presença dos responsáveis da Direcção Provincial da Saúde ou do Ministro, Luís Gomes Sambo.

As instituições, aqui, só funcionam com a presença dos chefes. Para os princípios e valores que regem a medicina e a gestão pública, o Centro de Saúde do Cassequel está abandalhado, embora estejam os médicos a representar o Governo em nome do Estado. Além disso, é preciso tratar o homem com respeito. Seja o médico, seja o paciente. Todos têm direitos e obrigações. A vida é um bem e merece dignidade. O centro está, ali, para resolver os problemas de saúde que os cidadãos apresentarem. Gostaria também, caros responsáveis, que criassem campanhas de sensibilização contra a malaria, tuberculose e outras doenças. Sem mais nada de momento…

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