Ao Jornal O País. Antes de tudo, gostaria de enviar os meus cumprimentos extensivos ao colectivo desse importante diário. Sempre ouvi dizer que a saúde está em primeiro lugar em relação a todas as coisas que o homem faz. Isto é, se não se encontrar em perfeita saúde, o indivíduo não pode cumprir com as suas obrigações sejam elas quais forem. Para garantir esse importante desiderato, o Homem criou também uma importantíssima ciência que é a medicina e terá dito: “aqui está ela, estudem- na, mas só aqueles que têm vocação”.

E pressupõe-se, acrescento eu, que só gente profundamente humana com amor ao próximo escolhe essa profissão e que desde o princípio deve estar conscientes que ela deve ser exercida tendo como “objecto de trabalho” o próprio corpo humano, que já de si é um mistério, a forma como os nossos órgãos vitais funcionam. Tenho cinquenta e tal anos de idade e como é natural, tenho frequentado regularmente os hospitais.

Tenho dito que a cada um a sua saúde. Em duas ocasiões, por sinal no mesmo hospital, fui atendido por duas jovens médicas. Como sempre a pergunta da praxe. O que sente? Doi-me aqui e acolá. Depois disso começam (ou deviam começar) as constatações do médico tendo em conta as queixas do paciente. No consultório médico normalmente encontram-se determinados equipamentos ou instrumentos que o auxiliam a tirar as primeiras conclusões face as queixas do paciente. Quais são eles?

A maca, o medidor de tensão arterial, o estetoscópio, este, o instrumento que o médico usa para auscultar os batimentos cardíacos, a respiração, etc. Nas duas ocasiões, queixei-me do peito e da barriga respectivamente, e as ditas médicas não “ousaram” pediram para deitar-me na maca, nem para tirar a camisa. Para meu espanto, limitaram- se a fazer o diagnóstico e prescrever a medicação, baseando- se no que ouviram de mim.

Perante isso, pergunto-me se elas não terão aprendido durante o curso sobre a necessidade e importância do uso desses instrumentos, o que duvido. Então, há apenas duas explicações – ou são negligentes e vaidosas, ou se envergonham de pedir a um “mais velho” para tirar a camisa para ver-lhe o peito e a barriga. Provavelmente, se fosse um jovem bem “sarado” eu teria sido observado como mandam as regras.

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