“Mpemba Nyi Mukundu”, a nova criação da Companhia de Dança Contemporânea de Angola, foi estreada esta Quinta-feira no Memorial Dr. António Agostinho Neto, no âmbito do II Festival Nacional de Cultura, aberto a 30 de Agosto último, no Estádio11 de Novembro, em Luanda Com música original de Victor Gama, coreografia e figurinos de Cláudia Martins e Nuno Guimarães, videografia de Rafael Carriço, a peça “Mpemba Nyi Mukundu” foi inspirada num conto da oratura cokwe, cuja mensagem transporta-se para a actualidade através da utilização das novas tecnologias.

A obra incorpora elementos dessa cultura, onde as máscaras, os sona (desenhos na areia), as pinturas nas paredes, a música e as danças actualizam- se pelo recurso a outros discursos corporais, prolongando-se através das linguagens do graffiti e do vídeo. “Mpemba Nyi Mukundu” resgata a tradição e a actualidade de uma mensagem intemporal, a partir de dois contrários nas culturas bantu: o branco (mpemba) e o vermelho (mukundu), duas argilas com aplicações e significados de rituais e mágicos muito específicos.

Esta 2ª Temporada da CDC Angola, integrada nas actividades do FENACULT, prolongar-se á até ao dia 16 de Setembro, às 20horas e 30 minutos. Além das suas vertentes patrimoniais (tradicionais e populares), a dança angolana conhece hoje outros géneros, como a contemporânea, introduzida e divulgada no país pela COMPANHIA DE DANÇA CONTEMPORÂNEA DE ANGOLA (CDC), criada em Dezembro de 1991.

Esta companhia, uma das primeiras do género em África e a única com estatuto profissional em Angola, é constituída por bailarinos angolanos por si formados a trabalhar em regime de exclusividade.

Apesar de não lhe serem dadas todas as possibilidades que merece, para representar Angola no estrangeiro, diz orgulhar-se de ter sido calorosamente aplaudida como digna embaixadora da dança contemporânea angolana nos diversos países africanos, europeus e asiáticos onde se exibiu.

Criações

Na memória de milhares de espectadores estão as obras “A propósito de Lweji” (1991), “Mea Culpa “ (1992), “Corpusnágua” (1992), “1 Morto & os Vivos” (1992), “5 Estátuas Para Masongi” (1993), “Imagem & Movimento” (1993) e “Palmas, por favor!” (1994). Juntam-se a estas, “Neste país” (1996), “Uma frase qualquer… e outras (frases” (1997), “Agora não dá! ‘Tou a bumbar” (1998), “Os quadros do verso vetusto” (1999) e, mais recentemente, “Oratura… dos Ogros… e do fantástico” (2008) e ”Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos” (2009), “O Homem que chorava sumo de Tomates” (2011), “Paisagens Propícias” (2012), dentre outras apresentações, tendo algumas delas marcado a sua opção por espaços cénicos não convencionais, numa maior relação de proximidade e interacção com o público.

Responsável pela ruptura estética e formal da dança angolana, com dezenas de obras originais e espectáculos produzidos, a CDC conhece uma interrupção do seu ritmo de trabalho regular em 2000, provocando um vazio no já tão insípido cenário da dança teatral do país.

Hoje, passados 20 anos, resiste com a mesma determinação, vencendo as adversidades passadas, voltando a este antigo projecto e revitalizando a Companhia com uma nova dinâmica, projectando novas formas de suporte e de prolongamento da sua actividade, com uma Oficina de Artes e uma Área de Projectos de intervenção comunitária.

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