A direcção da instituição justifica o grito de socorro pelo facto de a disciplina de Música contribuir grandemente para um aproveitamento escolar positivo das crianças

O assistente pedagógico do Centro da Caridade Santa Isabel, localizado no bairro Gindungo, zona da Estalagem, município de Viana em Luanda, Francisco Mpilamosi Bongo, manifestou a O PAÍS o desejo de ver a sua instituição apoiada com instrumentos musicais, de modo a recuperar a excelência no que toca à aprendizagem dos alunos.

“Gostaríamos imenso de receber apoio de organizações ou pessoas de bem, para repormos ou reforçamos os nossos meios de ensino das aulas de música, visto que os violinos estão a estragar-se e já não temos guitarra, nem sequer um órgão”, solicitou Francisco MPilamosi, tendo informado que a sua secção registou uma baixa nos resultados dos estudantes, desde que os instrumentos começaram a ficar inoperantes.

Segundo o responsável da área pedagógica do Centro da Caridade, a disciplina de Música foi colocada no curriculum dos alunos em função da natureza dos mesmos, já que são, normalmente, provenientes de família com muitas carências afectivas.

“Por ser uma cadeira artística que consiste na expressão de sentimentos e manifestação de valências que estão ligadas à alma, proporcionando ritmo e, sobretudo, harmonia, seleccionámo-la como verdadeiro veículo para afugentar as mágoas e desequilíbrios espirituais dos internos, ao ponto de o manejamento dos instrumentos servirem para a extrair e criar mensagens que possam aliviar o estado conturbado característico das crianças que nós albergamos”, detalhou o assistente pedagógico.

O mesmo considera ainda que, através desta cadeira, os alunos aproveitam musicalizar os conteúdos menos compreendidos nas sessões de aula, enquanto se familiarizam com ele, ao ponto de o ir tornando fácil. Por causa da diminuição das ferramentas musicais, a direcção viuse obrigada a reduzir o número de praticantes, uma situação que, no entender do assistente pedagógico, está a entristecer a maior parte dos rapazes.

Francisco Mpilamosi louvou o esforço empreendido pela escola Kapossoca que se disponibilizou a apoiar os petizes do Centro da Caridade com aulas de superação. Mas, entretanto, avançouque na falta de instrumentos musicais um curso de habilidades para a recuperação e manutenção dos meios de que a comunidade ainda dispõe faria muita diferença.

“Quatro a cinco crianças são enviadas, semanalmente, para a Orquestra Sinfónica Kapossoca, a fim de receberem subsídios científicos da cadeira, de modo a partilharem com os seus irmãos na comunidade e esta parceria tem vindo a facilitar a partilha de muitas valências.

Vale lembrar que a área de assistência social do centro, liderada por Sabina Capitango, traçou uma série de actividades de recuperação como acompanhamento personalizado e reforço escolar, bem como outras práticas que suscitam o manuseamento de objectos, onde os instrumentos musicais constituem a maior atracção dos garotos.

Sabina considerou que as aulas de música proporcionam o espírito de colectividade, proporcionando à criança a capacidade de compreensão, quando o sucesso de seu desempenho depende grandemente da combinação pontual da acção dos outros.

Encurtado acesso às aulas

Por causa da diminuição das ferramentas musicais, a direcção viu-se obrigada a reduzir o número de praticantes, uma situação que, no entender do assistente pedagógico, está a entristecer a maior parte dos rapazes. Mónica e Iracelma integram um grupo de cinco meninas considerado pelos responsáveis do Lar Santa Isabel como o das crianças mais habilidosas do curso, por serem as que melhor tocam o violino e representam, regularmente, a comunidade fora de casa.

Momentos antes do apelo do líder da área pedagógica, elas manifestaram o seu descontentamento devido ao encurtamento do acesso. “Nós temos de ser muitos a tocar os instrumentos, porque, se um estiver indisponível, então outro pode apresentar uma música ou mesmo ensinar os mais novos, mas com os violinos estragados não se pode fazer nada e o grupo está a ficar pequeno”, desabafaram as crianças.

Elas gostariam de ter formação técnica que lhes possibilitasse concertar os materiais, segundo soube O PAÍS das próprias, que não esconderam o desejo de a escola ter apoio neste sentido. Aliás, este é o sonho dos dois professores de música encontrados no decorrer desta reportagem, que confessaram a O PAÍS que não possuem subsídio neste capítulo.

Compensação mediata

Enquanto a direcção do Centro da Caridade Santa Isabel aguarda por dia melhores, no que toca ao stock de instrumentos musicais, a coordenação das actividades extraescolares traçou uma política de ocupação dos meninos, nas aulas de costura e capoeira.

Estas actividades ajudam a recuperar o espírito colectivo e a capacidade de expressão das crianças, mas não estão isentas de dificuldades que têm a ver com os meios, principalmente a modalidade desportiva capoeira, cujos equipamentos exigem ainda da direcção um esforço considerável.

Na óptica do professor Calutsha, responsável da referida área, desde que o acto de compensação vise garantir a inclusão e aumento da capacidade de reflexão do aluno, a secção das actividades extra-escolares adopta-o.

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