O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, exonerou ontem, Quinta-feira, por decreto, Isaac dos Anjos e Rui Falcão, dos cargos de governador provincial de Benguela e do Namibe, respectivamente

De acordo com uma nota da Casa Civil do Presidente da República, num outro decreto, o Presidente da República nomeou Rui Falcão para exercer as mesmas funções em Benguela. Para governador do Namibe, foi nomeado o deputado pelo circulo provincial, Carlos da Rocha Cruz, membro do Comité Central do MPLA e segundo secretário do MPLA. Rui Falcão tinha sido nomeado governador do Namibe em Maio de 2013, em substituição de Isaac dos Anjos, que recebeu no mesmo período a missão de governar Benguela.

A exoneração de Isaac dos Anjos vista pelos benguelenses

Com a exoneração de Isaac dos Anjos do cargo de governador Provincial de Benguela, efectivada ontem, vão surgindo opiniões e comentários a esse espeito, nos vários círculos da província. Se há quem diga que a exoneração ocorrida ontem não tenha sido novidade, por outro lado, há quem defenda que o ‘timing’ escolhido não tenha sido oportuno.

Carlos Pacatolo, analista político e docente universitário em Benguela, é da opinião que “ninguém muda um governador a menos de 100 dias das eleições”. Argumentando, esclareceu que tal caso poderá ser justificado apenas e “só se todas as evidências derem indicações que a sua manutenção é uma péssima aposta em termos eleitorais.”

Portanto, a interpretação que faz da exoneração é que “o partido na governação percebeu que (dos Anjos) tinha de ser substituído”, por “não querer correr o risco de perder deputados no círculo provincial de Benguela.” Estando as eleições marcadas para tão breve, “o timing em que a decisão é tomada, na minha leitura, tem mesmo a ver com a necessidade de se ganhar as eleições em Benguela”, declarou Pacatolo.

O analista observou que o motivo da substituição seja meramente “eleitoralista”, de formas a “tentar aumentar a velocidade nos últimos metros da pista para se maximizar os votos” ou, “não perder o que se tem.” Debruçando-se sobre Rui Falcão, actual governador de Benguela, Pacatolo opinou: “é alguém que deu cartas no Namibe”. Não havendo comparações entre as duas cidades, em termos eleitorais, prevê que o desafio em Benguela seja maior.

Falcão “é alguém que sabe levar o partido, Isaac dos Anjos não era”, pelo contrário, “era um tecnocrata”. Sabendo que o novo governante é “escutista de primeira linha”, espera destreza na conquista do voto jovem. Já o sociólogo Viqueia Cambulo, apologista de que exonerações e nomeações de governadores “não deveriam ser conforme são, de maneira repentina”, sustenta ser vital que um dirigente detenha conhecimento profundo das problemáticas da província. Deste modo, terá em posse fundamentos para traçar metas para o futuro da cidade e, se as substituições são inesperadas, o processo de diagnóstico poderá estar a ser defeituoso.

A seu ver, a recente nomeação terá resultado de “alguma conflitualidade interna no seio do MPLA”, tornada pública nos últimos tempos, logo, Rui Falcão será o rosto indicado para “acalmar, apaziguar internamente o próprio partido.” Quanto à classe a que pertence, empresarial, “acho que as pessoas deveriam olhar para isso como exemplo daquilo que não se deve fazer e não levarmos isso como vantagens ou desvantagens para uns e outros.”

Um olhar da oposição Alberto

Ngalanera, secretário provincial da UNITA olha para o caso como um “processo que já se vem arrastando”. Na disputa para governar Angola, “a pouco menos de dois meses, quer a exoneração quer a nomeação, nada poderá salvar o MPLA da derrota eleitoral, porque o balanço já foi feito pela própria população”, afirmou.

Nesta altura do campeonato, mudar jogadores não alterará o resultado do jogo, pois trata-se de “um sistema que faliu”, justificou. Logo, a mudança, para a oposição, representa instabilidade e conflitos internos no partido dos camaradas.

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