A China e a França assinaram, Terça-feira, acordos nos domínios da energia nuclear e da ciência no cumprimento do programa da visita a Beijing do primeiro-ministro Francês, Bernard Cazeneuve.

Durante as negociações com Cazeneuve, o premier chinês, Li Keqiang, afirmou que a China está disposta a trabalhar com a França para aprofundar a cooperação industrial no campo da energia nuclear. Li estima que as duas partes implementem, sem contratempos, o programa da “planta nuclear Hinkley Point C” e discutam o desenvolvimento conjunto dos mercados de energia nuclear de terceiros.

O primeiro-ministro propôs que as duas partes explorem a cooperação na aviação civil e na indústria espacial, aprofundem a cooperação contra as mudanças climatéricas bem como o projecto “cidade ecológica” de Wuhan, capital da Província de Hubei, centro da China. Li também espera que os dois países imprimam uma cooperação profunda na indústria, agricultura, saúde, assim como lidar com o grupo da população em estágio de envelhecimento.

O primeiro-ministro chinês sugeriu que as duas partes promovam o intercâmbio inter-pessoal e implementem, de forma eficiente, o programa sino-francês designado “1000 estagiários” bem como o acordo de reconhecimento mútuo de cartas para a condução de automóveis recém-assinado entre as duas partes. Li também recomendou que os dois países efectivem, o mais cedo possível, o acordo de previdência social assinado em Outubro passado, que isenta os empregados que trabalham no exterior do pagamento das contribuições de previdência social obrigatórias.

O primeiro-ministro chinês mostrou-se desejoso que a parte francesa ofereça melhores serviços aos turistas chineses. Quanto às relações bilaterais, Li referiu que tanto a China como a França são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e que a sua relação têm sido uma prioridade na estratégia das relações da China com os países ocidentais. Li deseja que as duas partes, face ao contexto internacional actualmente complicado e volátil, devem transmitir sinais firmes conjuntos visando proteger a paz e a estabilidade mundiais, bem como promover o desenvolvimento e responder às incertezas com estabilidade.

A China apoia, com firmeza, a integração europeia e conta com uma União Europeia (UE) estável, próspera e unida, um desenvolvimento que não deverá beneficiar apenas as relações entre a China e a França e entre a China e a UE, entretanto servindo também os interesses do multilateralismo e a promoção da globalização, frisou Li. Li ressaltou a necessidade da UE cumprir cabalmente com as suas responsabilidades referentes ao Protocolo de Adesão da China à Organização Mundial de Comércio (OMC), criando condições para um clima saudável que estimule o desenvolvimento da cooperação pragmática entre a China e a Europa.

Cazeneuve elogiou a cooperação com a China no sector de energia nuclear civil e acrescentou que a cooperação bilateral na agricultura e na protecção ambiental é frutífera e exemplar. A França pretende trabalhar com a China para ampliar a cooperação nas áreas da política, economia, comércio, investimentos, ciência, agricultura, energia nuclear, protecção ambiental e educação, designou. Também pretende envidar esforços com a China para a manutenção da liberalização comercial e combater o proteccionismo, sublinhou Cazeneuve. Ao assinalar que a Europa e a China compartilham amplos interesses comuns, Cazeneuve frisou que as duas partes vão encontrar uma saída adequada para a implementação do 15º Artigo do Protocolo de Adesão da China à OMC.

Durante a conferência de imprensa conjunta com Cazeneuve, Li reafirmou que ao aderir aos princípios da abertura, inclusão e cooperação, a China opõe-se ao proteccionismo e advoga um comércio internacional assente numa plataforma de trabalho multilateral. Cazeneuve garantiu que a França encontra-se disponível em trabalhar com a China na luta contra o proteccionismo comercial e promover o desenvolvimento e a prosperidade dos dois países. O governante francês faz uma visita oficial à China, de 21 a 23 de Fevereiro. Além de Beijing, também visitará Wuhan.

Comentários

comentários