O valor das propinas nesse estabelecimento de ensino privado varia de um milhão e 200 mil Kwanzas a um milhão e 500 mil Kwanzas por ano lectivo. Enquanto decorriam as negociações entre o Ministério da Educação, os antigos proprietários e os novos, alguns encarregados de educação matricularam os seus educandos em instituições similares, mesmo sem terem as transferência em sua posse.

Os novos gestores do Colégio Esperança Internacional (COESPI), vulgo Colégio Turco, têm agendada uma reunirão para hoje, Terça-feira, 21, às 16h, com os representantes da Comissão de Pais e Encarregados de Educação e os funcionários da instituição visando revelar-lhes a data da sua reabertura. Segundo apurou OPAÍS, a reunião terá sido antecedida por outra que ontem decorreu entre os novos gestores (angolanos), os seus antecessores (de nacionalidade turca) e o Ministério da Educação (MED) para abordarem o assunto. As conclusões que saíram desse encontro serão comunicadas aos encarregados de educação e aos trabalhadores angolanos que ainda não sabem que destino lhes está reservado.

O mesmo acontecerá com os estudantes. A informação sobre um encontro que seria realizado Sexta-feira, 17, entre os membros da Comissão de pais, os anteriores gestores e os novos proprietários, divulgadas por alguns órgãos de comunicação social, foi desmentida por uma fonte da referida comissão. O dado segundo o qual o colégio reabriria em breve com uma nova gestão, porém mantendo a sua qualidade de ensino, não foi suficiente para tranquilizar os encarregados de educação , tendo alguns optado por matricular os seus filhos noutros colégios.

“Embora a direcção do COESPI não estar a emitir guias de transferência, alegando que a secretária está interdita, muitos de nós optamos em matricular os nossos filhos em outras escolas privadas que, por conhecerem a situação, abriram-nos uma excepção, desde que se apresente o boletim de notas do ano passado”, referiu uma encarregada de educação que se identificou apenas por B.S. A interlocutora, que também retirou os seus dois filhos que se encontravam matriculados na instituição, onde frequentavam um a 5ª e outro a 8ª classe, confessou que alguns encarregados de educação, cujos filhos são amigos, trocam informações entre si sobre uma eventual disponibilidade de vagas em colégios do mesmo padrão ou mesmo superior.

Neste momento aguarda apenas que a direcção do COESPI retome as funções para solicitar-lhe a emissão das transferências, assim como o reembolso dos valores pagos para o primeiro trimestre do presente ano lectivo. Segundo B.S., no referido estabelecimento de ensino as propinas eram pagas trimestral ou anualmente, e os custos variavam segundo os níveis escolares e a quantidade de membros da mesma família lá matriculados.

Preços das propinas

O valor trimestral para o ensino primário (desde a iniciação à 6ª classe) era 400 mil Kwanzas; para o ensino secundário do primeiro ciclo (da 7ª à 9ª classe) era 450 mil, sendo que para o do segundo ciclo (da 10ª à 12ª) era 500 mil Kwanzas. Em função da quantidade de filhos matriculados na mesma instituição, os encarregados chegavam a fazer descontos de até 350 mil kwanzas por trimestre. “Se não tivermos em conta os descontos, o preço anual das propinas ficava em 1 milhão e 200 mil Kwanzas para o ensino primário, um milhão e 350 Kwanzas para o primeiro ciclo e um milhão e 500 mil Kwanzas para o segundo ciclo”, detalhou um funcionário da instituição, de nacionalidade angolana, que se socorreu do anonimato dado o momento menos aconselhável que a instituição atravessa.

Nessas comparticipações estão incluídas as refeições, bem como actividades extra-curriculares como o xadrez, ballet, capoeira e a língua turca. Além disso, a escola oferece a possibilidade de os pais ou encarregados de educação frequentarem gratuitamente os cursos nomeadamente de inglês e turco. Refira-se que a partir da 7ª classe a maior parte das disciplinas são leccionadas somente em inglês. Contou que todos os funcionários angolanos também foram notificados a comparecerem na reunião de Terça-feira, por ser a ocasião em que seriam informados sobre a sua futura situação vinculativo- laboral. Contactado pelo OPAÍS, um funcionário sénior do Ministério da Educação desmentiu a informação segundo a qual os seus superiores se terão reunido com os novos gestores (angolanos) do COESPI e os seus antecessores (de nacionalidade turca) para abordarem assuntos relacionados com a sua reabertura.

Julgamento de funcionários do COESPI retoma amanhã

cavalosO Tribunal Provincial de Luanda (TPL) retoma amanhã, Quarta-feira, as audiências de julgamento de dois funcionários do Colégio Esperança Internacional, de nacionalidade turca, acusados de estarem envolvidos em actividades associadas ao financiamento ao terrorismo internacional e branqueamento de capitais. De acordo com uma fonte deste jornal ligada à 14ª Secção de Crimes Comuns do TPL, para facilitar o interrogatório dos arguidos Hibrahim Gardol e Elgiam Tusdiev, bem como dos seus correligionários (arrolados no processo como declarantes ou testemunhas) que não falam devidamente português, os magistrados contam com o auxílio de um tradutor.

Conforme noticiou OPAÍS a semana passada (ver edição 432), ambos estarão supostamente envolvidos na explosão de uma bomba num avião no dia 2 de Fevereiro do ano passado, em Mogadíscio, capital da Somália, sem contudo causar vítimas mortais. As autoridades somalis constataram que o bilhete de passagem usado pelo autor do crime, oficialmente identificado apenas por “Kamikaze”, fora comprado em Angola, tendo accionado a representação da Interpol em Luanda, sedeada no Serviço de Investigação Criminal (SIC), que conduziu as investigações que culminaram na detenção da dupla. Investigações feitas em Angola conduziram à agência Euroaustral, com escritórios na Vila Alice e Talatona, como a entidade emissora da referida passagem, o que provocou o seu encerramento.

Elgiam Tusdiev foi detido nesse local, quando fazia mais reservas de bilhetes de passagem para enviá-los ao exterior do país. Na sequência das investigações da equipa da Interpol, também se chegou a Hibrahim Gardol, chefe de Tusdiev, cujos vistos haviam sido obtidos por intermédio do Colégio Esperança Internacional, ora encerrado pelo Ministério da Educação, na Sexta-feira, 11.

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