Familiares do músico Bernardo Correia Jorge “Bangão”, falecido em Maio último na África do Sul, vítima de doença, proíbem todas as actividades culturais, em sua homenagem sem autorização de modo a salvaguardar os direitos de imagem do cantor

A decisão da família surge um mês após a realização da missa do 30 dia, visando desencorajar todos os que se têm feito passar por familiares do cantor angariando patrocínios em diferentes instituições destinadas a apoiar a família, enquanto tais proventos não se fazem chegar a mesma.

Insatisfeito com tal atitude, Francisco Martins Correia “Kito”, irmão mais velho do cantor e porta-voz da família, proibiu igualmente a interpretação ou execução fonográfica das obras de Bangão por parte de terceiros sem autorização, um assunto que já é do domínio das instituições do país, ligadas a protecção dos Direitos de Autores e Conexos, como é o caso da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC).

Francisco Correia “Kito”, recorda que mesmo na altura em preparavam as exéquias fúnebres do cantor, indivíduos houve que se fizeram passar por familiares e em consequência disso, recebiam apoios para benefício próprio, em prejuízo do óbito. Os casos mais recentes que também incluíram uma reverência a Bangão sem conhecimento ou contacto prévio com a família foram respectivamente, o Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda e uma actividade isolada, realizada na cidade de Ndalatando, província do Kwanza Norte.

Kito realça que, antes funeral do cantor, numa reunião com representantes do Governo da Província de Luanda, e outras entidades foram emitidas orientações que visam proteger o espólio do músico, de modo a evitar que fossem distribuídos ou vendidos, incluindo as músicas deixadas por lançar.

Em função disso, O PAÍS, desdobrou-se em contactos com alguns produtores musicais com os quais Bangão trabalhou para saber em que condições o artista deixou as obras.

O primeiro, o Dj Mania, que depois de um dedo de conversa com os familiares se prontifi cou a colaborar futuramente depois de terminadas as pesquisas, num trabalho que O PAÍS promete voltar à carga nos próximos dias.

Caminhada

Nascido a 27 de Setembro de 1962, no emblemático bairro Brás, município do Sambizanga, rua do Centro Recreativo Cultural “Kudissanga-Kuá-Makamba”, Bernardo Jorge Martins Correia “Bangão” integra, em 1974, o agrupamento “Tradição”, de que faziam parte, entre outros, Alaito (tumbas) e André Lua (voz). De 1976 a 1977 foi vocalista do grupo Processo de África, com Guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Alaito (bateria) e Abílio (viola ritmo). As canções: “Vaiana”, “Mona¬mi” e “Alice” foram os grandes sucessos musicais da época. Os Gingas acabaram numa embosca¬da, durante a guerra, em Cassoalala, a 70 km de Luanda, às 15 horas e 24 minutos do dia 19 de Maio de 1989. Na tragédia sucumbiram: António Joaquim Francisco (solo) e Dioguito (viola ritmo). Em consequência disso, Bangão fica afastado da música durante seis meses, enveredando depois por uma carreira a solo, integran¬do, como colaborador o “21 de Janeiro da FAPA/DA”, grupo afecto à Força Aérea Popular de Angola.

Em 1996 venceu o prémio Liceu Vieira Dias, com o tema “Kibuikila” (Peste), acompanhado pela Banda Movimento e três anos depois passa a fazer parte da Banda Movimento, sempre como vocalista.

No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso Semba de Ouro, com a canção “Kangila” (pás¬saro agoirento) e afirmou-se como cantor e compositor de inequívocos créditos firmados.

O ano 2003 consagrou Bangão como um dos maiores intérpretes da música popular angolana.

Neste ano, no Top Rádio Luanda, ganha os prémios da música do ano, com o tema “Fofucho”, voz masculina do ano, tendo também sido reconhecido com o prémio preservação pela sua incessante defesa da música popular angolana. Em 2005, venceu o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA).

Na recorrenciada ausência dos seus descendentes em Luanda, decidiu, aos dezoito anos de idade, optar, voluntariamente, pela naturalidade da sua mãe. Católico assumido, Bangão é filho de pais protestantes, tendo feito os estudos primários na Escola da Praça, no Sambizanga, e os secundários na Escola Emídio Navarro, no Bairro Rangel.

Considerado o Rei do “rumba angolano”, Bangão começou no agrupamento “Tradição”, em 1974, formação acústica que integrava o guitarrista Kintino (viola solo), Zé Abílio (viola ritmo) , Alaíto (tumbas) e André Lua (voz).

De 1976 a 1977 integrou, como vocal, o grupo “Progresso de África” com guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Kin¬tino (viola solo), Alaíto (bateria) e Abílio (viola ritmo). No mesmo período, o promotor musical, Adão Nzo Yami, pretendendo revitalizar o conjunto “África Nzogi”, degenerescência do grupo Surpresa 73, convidou a inclusão dos integrantes da banda “Progresso em África”, com a intenção de experimentar um novo alinhamento estético, no conjunto “África Nzogi”.

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