Com um grupo de empresários e instituições do Estado, Angola esteve presente na Feira de Dakota do Norte, em Setembro último. A presidente do Instituto de Fomento Empresarial, Dalva Maurícia Ringote Allen, avançou que a agroindústria despertou interesse dos americanos. Sublinha que há contactos entre empresários dos dois países e que serão intermediados pelo IFE.

Uma missão empresarial angolana encabeçada pela Administração do Instituto de Fomento Empresarial esteve recentemente nos Estados Unidos. Qual é o balanço que faz da participação angolana?

Do ponto de vista institucional os resultados alcançados foram positivos, considerando que o IFE desenvolveu contactos os órgãos do Governo Estadual, mais concretamente com o vice-governador do Estado, bem como Mayor da cidade de Fargo, na perspectiva de apoiarem na identificação de empresas com perfil global que queiram estabelecer parcerias com empresas Angolanas no quadro da diversificação da economia angolana, bem como apoiar na implementação mecanismos para facilitar a interacção entre o empresariado angolano e o americano.

O mayor da cidade de Fargo mostrou interesse e disponibilidade em visitar Angola, pelo que, as equipas estão neste momento a trabalhar na instrução do processo de deverão ser remetidos aos órgãos competentes no sentido de preparar uma missão de negócios de empresários americanos a angola que, a princípio, deverá decorrer no Iº trimestre de 2017.

Do ponto de vista empresarial, penso que a participação foi igualmente satisfatória, na medida em que participaram na feira empresários de vários pontos do país. Estiveram no Dakota do Norte empresários das províncias de Benguela, Huambo, Luanda e Uíge. Algumas empresas vão beneficiar de capacitação nos domínios agrícolas, nomeadamente, cultivo da batata, do feijão e da soja, cereais e fertilizantes. As empresas tiveram igualmente a oportunidade de articular na perspectiva B2B com empresas voltadas ao ramo dos insumos agrícolas, instituições bancarias americanas, e outras puderam mesmo iniciar abordagens para de algumas marcas americanas em Angola. .

Antes da Missão Empresarial, qual era a ideia dos empresários americanos sobre a agro-indústria em Angola?

O Dakota do Norte é um estado pequeno, que fica no Norte dos Estados Unidos, e muito voltado para satisfação das necessidades do próprio país, pelo que fala-se muito pouco de economias externas. Todavia, porquanto plataforma de promoção, a feira propiciou condições de divulgar os instrumentos políticos aprovados pelo Executivo que visam essencialmente o fomento da actividade empresarial privada.

Por ocasião da participação da delegação angolana na Feira Big Iron, foi possível informar aos participantes estrangeiros, no local, que o Executivo angolano tem aprovado e implementado um conjunto de políticas a favor do exercício da actividade económica privada que garantem o respeito pela propriedade privada e regras de mercados livre e de óptima concorrência entre os agentes económicos. Sendo assim, julgamos ter sido bastante pertinente o momento em que as empresas angolanas procuraram falar sobre o que fazem e o que pensam fazer.

Um dos objectivos da missão era levar e divulgar as potencialidades de Angola para os Estados Unidos. Este objectivo foi atingido?

O que se pretendeu era levar uma delegação de empresários angolanos a participar na feira. Este objectivo foi concretizado, visto que participaram na feira 27 empresas privadas das diversas áreas da estrutura económica e 6 instituições, perfazendo assim um total de 45 participantes.

Foram firmados alguns acordos de parceria?

Numa primeira fase, os empresários procuraram identificar possíveis áreas de cooperação no âmbito da agro-indústria, foram mantidas abordagens específicas e concretas em função do interesse de cada empresário angolano. Pensamos que os nossos empresários conseguiram estabelecer contactos preliminares para posteriores abordagens, perspectivando a definição de acordos futuros. Importa destacar que dos contactos mantidos, 4 empresas já possuem contactos avançados. Da nossa parte, o desafio é acompanhar os passos que estão a ser dados para a materialização dos mesmos por partes das empresas.

Quais são as áreas que mais interessaram aos investidores americanos?

As áreas que mais interessaram aos empresários americanos são: equipamentos (maquinaria), fertilizantes, sementes, formação de quadros angolanos em matérias agrícolas, abertura de representantes americanos dos equipamentos agrícolas em Angola, em fim, estamos a falar em todo o apoio necessário para o relançamento da agro-indústria.

Depois da missão empresarial, o AGOA foi prorrogado por mais 10 anos. No seu entender, é uma grande oportunidade para os empresários angolanos ou o tempo devia ser mais extenso?

Do ponto de vista de exportação a prorrogação do AGOA foi uma medida positiva do Governo norte-americano voltada para África. Entendemos que 10 anos é um periodo de tempo razoável para que o empresariado angolano possa aproveitar para se capitalizar no limite das exigências do Governo norte americano. A exportação de produtos vai permitir que o empresário agregue valor à sua actividade, implicando posicionamento estratégico no âmbito da mundialização da nossa economia. Por outro lado, a exportação vai permitir a entrada de divisas para o país, vai contribuir para a balança comercial e, concomitantemente, no crescimento do PIB.

Um dos grandes problemas da produção agrícola em angolana é a cadeia logística e outras indústrias complementares. Com essas deficiências, acredita que poderão ser exportados muitos produtos, como o café e a banana, para os Estados Unidos nos próximos 10 anos?

Com o actual cenário macroeconómico, o Executivo está a desenvolver um conjunto de medidas que visam materializar o processo de aceleração e diversificação da economia. Permita-me aqui fazer ênfase na estratégia aprovada para a saída da crise, onde podemos encontrar as orientações específicas, com destaque para o aumento da produção interna.

É sobejamente conhecido que o sucesso para o relançamento da actividade agrícola passa pelo desenvolvimento dos sectores transversais e sobre esta matéria o país tem estado a dar passos qualitativos para facilitar a actividade produtiva, bem como o escoamento dos produtos. Com estes esforços, podemos afirmar que será possível exportar e, como exemplo, nos últimos dias o país testemunhou a chegada das primeiras toneladas de café aos EUA.

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