A Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA) vai certificar, entre finais de Fevereiro e princípios do mês de Março, os seus associados, para melhor identificar e fiscalizar as empresas com dificuldades na obtenção de divisas junto das instituições bancárias.

Em entrevista a OPAÍS, Manuel Sumbula, presidente da AIBA, disse que a medida visa igualmente facilitar uma maior aproximação das empresas do sector de bebidas com o Estado. “Está tudo preparado e acreditamos que, a partir de finais de Fevereiro ou mesmo no princípio de Março, comecemos o processo de certificação de todas as empresas associadas e não só”, explicou. De acordo com o responsável, actualmente cerca de 90% das empresas de bebidas são associadas da AIBA, mas avançou que existem outras que ainda não estão certificadas pela associação, por isso, alertou a importância da certificação.

“A AIBA vai certificar todos os seus associados de modo a identificar quem são, o que produzem, onde estão e qual é o número de empregos criados, no sentido de o Ministério da Economia, da Indústria e o Banco Nacional de Angola continuarem a ajudar essas empresas não só em termos de alocação de divisas, mas também para outros fins “, esclareceu. Revelou que os principais problemas que afectam a indústria de bebidas têm a ver com o abastecimento de água, fornecimento de energia eléctrica e a aquisição de combustível. Com esses problemas resolvidos, Manuel Sumbula acredita que o sector pode-se tornar mais robusto e, deste modo, o país ter condições para entrar na zona de comércio livre da SADC. Por outro lado, explicou que outro dos grandes desafios da instituição é incentivar as indústrias de bebida a utilizarem matérias-primas nacionais, no sentido de substituir a importação dos produtos.

País gasta mais de USD 400 milhões com a importação

O sector tem a capacidade de abastecer o mercado nacional sem importações. Segundo a AIBA a importação representa mais 500 mil milhões de litros por ano. O país tem a oportunidade de reduzir significativamente os mais de 400 USD milhões gastos actualmente com a importação de bebidas. Por enquanto, o sector contribui com quatro por cento no PIB, segundo números do Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Antes da independência, a participação do sector chegou a ser de 20% e, nos países que têm a industrialização como suporte dos processos de diversificação económica, o seu peso relativo é de 25 por cento.

O sector cresce três por cento ao ano e é responsável por cerca de 14 mil postos de trabalho directos e 45 mil indirectos. Por outra, tem mais de 40 empresas de bebidas e, entre cerveja, água e refrigerantes, as quantidades produzidas já respondem às necessidades do mercado. São no total produzidos em Angola três mil milhões de litros por ano. Há uma estimativa de quebra efectiva na produção que ronda entre os 30 e os 40 por cento para 2016.

Sobre a AIBA

Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA) foi criada em 2014. O seu principal objectivo é defender a livre concorrência e a liberdade de acesso ao parque industrial nacional, contribuir para o desenvolvimento e defesa dos interesses dos seus associados. É actualmente presidente da Associação o economista Manuel Sumbula. A AIBA conta com mais de 20 associados. Fazem parte da associação empresas como a Refriango, Cuca, Coca-cola, Mosvipo, Água Tchiowa, Sumol Compal, Eka, Nocal e outras.

14 Mil é o número de postos de trabalho

directos criados pelo sector. Soma-se igualmente 45 mil postos indirectos de trabalho.

4% O sector contribui

com esta percentagem no Produto Interno Bruto (PIB) do país.

40 Empresas de bebidas

já respondem às necessidades do mercado

 

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