O consórcio Rede Camponesa e a Liga de Militares de Angola na Reforma (LIMIAR) assinaram um protocolo de cooperação para rentabilização das terras aráveis pertencentes aos oficiais na reforma. Um mercado grossista está a ser criado em Kifangondo para o escoamento dos produtos.

Os ex-militares disponibilizaram 46 hectares de terras aráveis para a prática da agricultura segundo o director do gabinete de estudos e projectos da Liga de Militares de Angola na Reforma (LIMIAR), Moisés Pedro. Moisés Pedro fez esta revelação na Sexta-feira, em Luanda, durante a assinatura do protocolo de cooperação entre a LIMIAR e o Consórcio Rede Camponesa que terá como o objectivo promover a participação dos ex-militares na rentabilização dos terrenos para o desenvolvimento da agricultura.

Os 46 mil hectares disponíveis, de acordo com o responsável, foram cedidos pelos governos provinciais aos militares que agora se encontram na condição de reformados e pretendem colocar os espaços à disposição da associação para tirarem deles melhor rendimento. Nos termos do protocolo rubricado, a LIMIAR terá por missão pesquisar no seio dos seus filiados para identificar outros terrenos assim como os ex-militares que estão organizados em cooperativas agrícolas. Já o Consórcio Rede Camponesa vai fornecer os insumos, fertilizantes e a tecnologia para desenvolvimento dos projectos.

Geração de postos de trabalho

Na abertura do certame, o presidente da LIMIAR, coronel Augusto Sanda, disse que as fazendas e as terras dos ex-militares serão uma fonte de negócio que irão beneficiar não apenas os proprietários como também a sociedade a partir da geração de postos de empregos. Augusto Sanda referiu que o agro-negócio representa a gestão de uma grande cadeia de serviços actualmente asseguradas pelas novas tecnologias. Para o presidente do Consórcio Rede Camponesa, Gentil Viana, a valorização dos activos dos ex-militares, muitos dos quais com terras com abundantes recursos hídricos e florestais, passa pelo incentivo do capital humano.

Segundo ele, “a valorização do capital humano está antes de qualquer coisa”, tendo acrescentado que o trabalho em consórcio é uma prática vigente em todo o mundo em função dos riscos que o negócio proporciona. Gentil Viana não avançou se os acordos envolvem algum capital inicial, mas salientou que as duas organizações se desdobrarão internacionalmente à procura de financiamentos para sustentar a parceria firmada.

Mercado Grossista para o escoamento

Um dos problemas que se coloca na produção agrícola está relacionada com o escoamento. Sobre o assunto, Gentil Viana disse que a Rede Camponesa está a organizar um mercado grossista, no qual o produtor não precisará de passar por intermediários para ser comercializado. Revelou que o mercado está a ser organizado num terreno de 130 hectares localizado no Kifangondo, em Luanda, onde poderão instalar-se também os prestadores de serviço, consultores, transportadores rodoviários e os fornecedores de insumos. A LIMIAR conta actualmente com 22 mil membros e surgiu em 2001 com o objectivo de velar pela reintegração sócio-económica da classe dos oficiais generais, superiores, capitães e subalternos das Forças Armadas Angolanas (FAA) na reforma.

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