O responsável do Ministério do Ensino Superior (MES), António Miguel André, defende mais aposta na formação de docentes e o aumento de cursos de pós-graduação internos, visando reduzir o envio de muitos estudantes ao exterior de Angola.

O ministro interino do Ensino Superior, António Miguel André, afirmou ontem, em Luanda, que a instituição que dirige, neste momento, não tem qualquer pagamento de subsídios de bolsas em atraso, referindo-se aos estudantes que se encontram a frequentar cursos no exterior do país. Em depoimento à imprensa, por ocasião da “Iª Conferência Nacional sobre o Ensino da Pós- Graduação e a sua influência no desenvolvimento de Angola”, o responsável explicou que esforços têm sido feitos para que a situação continue “controlada”.

Importa realçar que vários estudantes angolanos espalhados pelo mundo, como o caso da Ucrânia, afirmavam estarem a passar por inúmeras dificuldades para custear a sua formação e a sua sobrevivência naquele país, visto que estavam há mais de oito meses sem receberem os subsídios de bolsa financiado pelo Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Angola (INAGBE), órgão afecto ao referido ministério. Para se evitar tais constrangimentos, António André defende que seja feita uma aposta no quadro docente angolano de forma a estimular as formações de pós-graduações internas.

“A nossa tarefa é estimular a formação a todos os níveis de formatura e pós-graduação, visto que o número ainda é reduzido”, referiu o ministro. Angola dispõe de 35 cursos de pós-graduação (especializações, mestrados e doutoramentos) distribuídos em diferentes Instituições de Ensino Superior. A entidade ministerial reconhece que o número é reduzido, tendo admitido a necessidade de que estes se multipliquem para que se promova a investigação de fenómenos internos e gerem desenvolvimento social.

“As instituições do Ensino Superior já têm trabalhado na reestruturação dos programas, isto tendo em conta a realidade do país”, revelou. Por seu turno, a presidente da União dos Estudantes do Ensino Superior de Angola (UEESA), Yolanda de Sousa afirmou que no que tange a investigação científica, ainda há muito para fazer, pois são poucos os estudantes que após a licenciatura dão continuidade à formação.

Deste modo, defende que seja feita uma maior divulgação dos cursos disponíveis, bem como se fale mais da sua importância para o desenvolvimento do país. “Poderá o país desenvolver-se sem investigação científica? Claro que não”, afirmou a responsável. A concluir, Yolanda de Sousa avançou que os dados disponíveis na sua instituição revelam que o país tem cerca de 285 mil licenciados, sendo que ao nível das pós-graduações o nível é muito baixo.

Menos burocracia para reconhecimento dos diplomas

O ministro António Miguel André (na foto) reconheceu ainda a existência de constrangimentos para o reconhecimento de diplomas provenientes do exterior do país. Para contornar tais dificuldades, garantiu que tem sido implementada uma nova dinâmica de trabalho com a nova direcção do Instituto Nacional de Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAREES ). Por outro lado, justificou que nalguns casos, a burocracia que se tem registado deve-se ao tempo que a referida instituição leva para contactar as universidades dos países de origem. “ Não temos tido retornos rápidos neste sentido. Por isso o atraso nos processos”, esclareceu o ministro.

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