A realização da mega campanha de vacinação animal contra a raiva, em Luanda, que estava prevista para finais deste mês, foi ontem adiada para Março do próximo ano.

A decisão de se anular a campanha, que previa vacinar cerca de 260 mil animais, foi dada a conhecer ontem a OPAIS pelo chefe de departamento de veterinária do Instituto dos Serviços de Veterinária de Luanda, Edgar Dombolo. Segundo o médico, as condições logísticas disponíveis actualmente não permitem a efectivação da mega campanha, há muito aguardada devido o crescer de casos de mordeduras que a capital do país vem registando. No entanto, tal como apontou Edgar Dombolo, faltam, para a realização da campanha, seringas, algodão, álcool, camisolas, chapéu e alimentação para os brigadista.

Assim, para o chefe de departamento de veterinária do Instituto dos Serviços de Veterinária de Luanda, com a ausência destes produtos não há possibilidade alguma de meter os brigadistas na rua sem o mínimo de condições. Doravante, conforme frisou o veterinário, vai-se trabalhar para que até Março as condições estejam criadas, embora não haja até ao momento um orçamento para o efeito. “Acreditamos que até lá tudo corra bem. Há já muitas coisas que estão a ser resolvidas.

Queremos ter, até Março, 90 porcento das coisas prontas porque há muita gente envolvida”, explicou. De acordo ainda com Edgar Dombolo, apesar do adiamento da campanha, o número de animas a serem vacinados mantém-se o mesmo. São cerca de 260 mil bichos ,entres macacos, gatos e cães que em Março serão vacinados contra a raiva. No entanto, devido às condições logísticas, ainda não se sabe ao certo se a campanha vai decorrer em simultâneo em todos os municípios ou se vai atacar as zonas mais endémicas. “Estamos ainda a discutir se vacinamos toda província ou se priorizamos os municípios mais afectados assim como Viana que apresenta o maior número de casos de raiva a nível de Luanda”, atestou.

Por outro lado, Edgar Dombolo avançou ainda que se pretende, no decorrer da campanha, efectuar igualmente a recolha de animais vadios para evitar que mais pessoas sejam mordidas. “Também por causa das condições logísticas estamos a discutir se faremos a recolha em simultâneo com a vacinação ou se fazemos uma coisa de cada vez. Só depois de termos o orçamento definido é que teremos uma ideia concreta”. Todavia, para minimizar a situação, os postos fixos de vacinação animal de rotina continuam a atender normalmente a nível das administrações, segundo Edgar Dombolo.

“O número de animais atendidos na vacinação de rotina é muito baixo. Não se compara aos que atendemos quando há campanha. Nessas ocasiões os números costumam ser maiores”, explicou. De frisar que, em recente entrevista a este jornal, a bastonária da ordem dos médicos veterinários, Antonieta Baptista, deu a conhecer que mais de 160 pessoas morreram este ano em todo o país em consequência da raiva. Com uma média de trinta casos cada, Luanda e Huíla são as províncias onde se regista o maior número de mortes humanas por raiva. O país continua a enfrentar a falta de vacinas contra a raiva para humanos desde o início de Fevereiro deste ano.

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