O Executivo deve tirar lições com a crise do petróleo e investir na agricultura, concluíram os participantes na Feira de Tecnologia Agrícola terminada recentemente em Benguela

O certame fez um balanço positivo dos dois dias de exposição de equipamentos tecnológicos na Fazenda Utalala, município do Cubal.

Com a realização deste evento, os promotores pensam subsidiar o Executivo na política de diversificação da economia em curso no país.

As lições do petróleo devem fazer o país mudar de estratégia e enveredar para a agricultura, segundo conclusões dos feirantes entrevistados por este jornal.

Ao intervir durante a feira, o secretário de Estado da Agricultura, Amaro Taty, disse ser bem-vinda a iniciativa do governo de Benguela e seus parceiros e anunciou que há medidas em estudo profundo, por parte do Ministério, para a realização de estratégias agrícolas a que são chamados os empresários para darem o seu contributo.

A campanha agrícola ora anunciada por Amaro Taty, vai definir a criação de uma série de medidas de fomento direccionadas ao aprovisionamento do gasóleo agrícola.

O governante entende que, depois do susto que o país levou, como consequência da oscilação do barril do petróleo no mercado mundial, é chegado o momento “ de termos juízo e perceber que, de facto, o petróleo é um rei muito frágil”. De seguida, ele defendeu a necessidade de se conferir mais impulso à agricultura, a fim de que o país volte a recuperar a sua hegemonia na produção de culturas como o café.

“Temos que acreditar que estes outros “reis” não nos fizeram mal nenhum mas nós é que nos afastamos por algum tempo. Então é tempo de voltarmos ao nosso passado”, aconselhou.

Amaro Taty manifestou preocupação em relação a agricultura, tendo anunciado que este ano foram tomadas medidas para as quais pediu o engajamento de todos os pecuaristas.

“Neste momento, nós temos o caso da febre aftosa no Sul do país, para a qual há um engajamento muito forte do Ministério e uma centena de técnicos médios e superiores estão engajados na fronteira para fechar a estrada pela qual deveria passar a doença”garantiu.

No capítulo da produção do café, o governante faz jus às palavras do embaixador norte-americano, Eric Bost, quando sugeriu que Angola já foi um dos principais rostos deste produto no mundo, sendo possível recuperar essa valência, “até porque dispõe de condições climatéricas”.

Segundo alguns participantes no certame, se houver vontade política, poder-se-á resgatar o que se perdeu. Entretanto, neste particular, duas correntes se levantam.

“Se de um lado há quem diga que o “desprezo político” à agricultura se deve grandemente ao conflito armado em que o país esteve mergulhado durante anos, por outro, descarta-se esta possibilidade e aponta-se “a falta de vontade política” como estando na base do actual estado em que se encontra a agricultura no país” defendeu um dos participantes que preferiu não se identificado.

“Mas também há aqueles que são mesmo preguiçosos e não gostam de trabalhar. Têm fazendas, muitas delas recebidas a custo zero, e nada fazem lá para ajudar o país nesta produção agrícola de que tanto ser quer” lamentou um outro fazendeiro.

Porque razão Angola quer diversificar a sua economia

De acordo com o consultor do ministro da Economia Dicínio Vaz Contreiras, por estar dependente do petróleo, a economia do país está exposta a muitas fragilidades, nomeadamente, face à flutuação na cotação do recurso de que o país depende, a inércia na procura de inovação, a dinamização de novos sectores e a dependência dos parceiros comerciais que consomem os recursos em que a economia assenta”.

O economista, que dissertou sobre “Diversificação da Economia Angolana” precisou que, para o efeito, exige-se que haja condições de promoção da diversificação cuja base seria um compromisso político firme, políticas públicas consistentes e recursos financeiros.
“Porquê que Angola quer se diversificar? Porque o PIB(Produto Interno Bruto) depende em 36% do petróleo, as receitas do OGE dependem 87 do petróleo, e as receitas de exportação, igualmente, dependem em 95%.

Estes três motivos explicam a vulnerabilidade da economia angolana face à tendência do preço do petróleo no mercado internacional.

Existe um programa denominado Plano Nacional de Desenvolvimento 2013/2017 que assinala os objectivos que o país pretende alcançar e a firme convicção de se promover a diversificação da sua economia, promovendo o empreendedorismo, apoiando o sector privado e às exportações do país” informou.

O consultor avança que de 2005 à 2013 o PIB angolano experimentou um crescimento na ordem de 10% do período acumulado, o produto per capita situa-se neste momento em cerca de 4 mil e 500 dólares americanos. “Ou seja, um angolano tem em média anual esta renda. Em 2015, a expectativa de crescimento é de 6.8%” sustentou.

Benguela instala indústria de tomate

A província de Benguela vai beneficiar da instalação de 4 indústrias de concentrado de tomate, segundo informação avançada pelo seu governador Isaac dos Anjos.

“E o que é que temos de fazer para produzir o tomate e alimentar estas fábricas? E qual é a oportunidade que vamos ter para esse negócio? O quê é que vamos fazer deste tomate? Angola e RDC, são os maiores consumidores de tomate importado em África.

Portanto, somados os 25 milhões de habitantes de Angola aos mais de 70 milhões da RDC, estamos aqui com 95 milhões de habitantes com um mercado excelente e que não é desprezível” concluiu

Comentários

comentários