Aguardado com muita expectativa, o 2º Festival Nacional de Cultura (Fenacult 2014), volta a fazer eco pelo país, centralizando as atenções do público, vinte e cinco anos depois depois da primeira edição, não obstante os sucessivos adiamentos

A pouco menos de 24 horas do início da festa, especialistas das distintas áreas, entre técnicos de som, luminotécnicos, cenógrafos, pintores, entre outros, concluem os últimos detalhes, visando proporcionar um espectáculo ao mais alto nível. Cinquenta mil pessoas são aguardadas este Sábado no Estádio 11 de Novembro, em Luanda, para testemunhar ao vivo, a abertura do maior evento cultural do país, o Fenacult 2014.

Para o gáudio do público espectador, foram já instalados no palco aparelhos de som de alta potência, luzes de cena, efeitos audio-visuaias e bandeiras distintas, ilustrando o evento, associado a uma ornamentação minuciada, chamando a atenção dos transeuntes e automobilistas que circulam naquela circunscrição.

Para permitir a entrada do público sem qualquer embaraço e evitar-se aglomeração à entrada, os portões do estádio serão abertos às 17 horas e 30 minutos.

Para quem não teve a oportunidade de assistir ao 1º festival em 1989, a ansiedade é ainda maior. Carlos Benge, estudante da Universidade Católica de Angola é um dos jovens que disse orgulhar-se por tão almejado espectáculo.

Na altura em que foi realizado o primeiro Fenacult, tinha apenas 13 anos e actualmente tem 38. Entusiasmado espera vivê-lo ao vivo e da melhor forma em companhia de familiares e amigos, não obstante a distancia a percorrer.

Porém, reconhece o festival como ponto de eleição e coesão da unidade e da diversidade cultural do nosso país. A intenção, segundo o jovem, é penetrar nos meandros da cultura nacional e senti-la, interagindo com os artistas em tempo de paz. “Pouco ou quase nada existe quanto ao registo do anterior Fenacult.

“Tentamos pesquisar alguns arquivos, mas infelizmente sem sucesso”, lamentou. Já o pintor Tomé Cortez, alinhando no mesmo diapasão espera viajar a Malanje no Comboio Cultural para apreciar de perto as habilidades de cada artista, numa interacção com o público ao longo de cada estação ferroviária.

Admite não ter assistido ao primeiro por ser menor, mas ter ouvido falar através dos irmãos. o que segundo ele, nunca é tarde e, desta vez, poderá fazê-lo ao vivo. Curiosamente, dos vários interlocutores abordados, apenas três testemunharam a edição na Cidadela Desportiva, visto que os demais nasceram depois do acontecimento.

Mais de 600 figurantes garantem a abertura

A cerimónia de abertura do Fenacult já foi alvo de vários ensais e conta nesta edição com seiscentos e vinte e cinco figurantes, dentre os quais 202 intérpretes integram o gigantesco grupo coral, responsável pela abertura do espectáculo, com a entoação do Hino do festival e uma outra canção a ele associada.

A estes, juntam-se 82 bailarinos, 337 efectivos das Forças Armadas Angolanas, 10 artistas e uma equipa técnica com mais de 30 elementos.

Com figurino e cenografia de Nuno Guimarães, sound design de Nuno Dario, composição e direcção musical de João Silva, a primeira parte do espectáculo cinge-se ao audiovisual com animação 3D mapeada sobre o campo onde desfilarão centenas de figurantes, numa coreografia especialmente desenhada e articulada com projecções de vídeo, música original e show de luzes.

Neste formato artístico, por sinal, o primeiro espectáculo multimédia do género concebido e implementado em África, será contada a história do país, enfatizando as conquistas da paz e os nossos valores culturais, naturais e ecológicos, em que estarão presentes a dança, o canto, os instrumentos musicais, o progresso tecnológico e o desenvolvimento social da Angola soberana.

Esta etapa culminará com o lançamento de fogo-de-artifício, numa apoteose de cor e alegria, ao que se seguirá um concerto musical com alguns dos artistas mais renomados da nossa música como Elias Dia Kimuezu, Bangão, Carlos Burity, Nsoki, Givago, Yuri da Cunha, Matias Damásio, Kiaku Kiadaff, Yola Araújo, Big Nelo, Kueno Aionda, C4 Pedro e o jovem kudurista W King . O elenco artístico, conta ainda com a actuação da Banda Movimento, do cantor Coreon Dú entre outros artistas.

Moxico segue com quatro atrações

Nesta edição a província do Moxico representa-se com quatro categorias culturais, desde a dança tradicional(meeting), instrumental musical tradicional, teatro e voz feminina, segundo o director local da Cultura, Noél João Manuel.

O responsável assegurou que a dança folclórica “Meeting” estará a cargo do grupo folclórico do município de Camanongue, na cidade do Huambo e o instrumental tradicional musical pelo grupo “Kalofolofo”, em Malanje. Já o Colectivo Teatral e Arte “Kissonde” encarregar-se-á da apresentação do teatro, na cidade de Benguela, ao passo a cantora Sandra Daniel “Nhakatolo” se fará presente no Palco de Vozes Femininas a realizar-se em Cabinda.

O responsável apelou aos participantes a melhor aprimorarem as suas técnicas para representarem de forma digna no festival a província. Já o Comboio Cultural, da alinha Sul, que partirá do Namibe a Menongue, congregará 150 delegados das províncias do Cuando Cubango, Huíla, Namibe, Cuanza Sul e Cunene, que irão partilhar experiências culturais nos dias 6 e 7 de Setembro dos Caminhos de Ferros de Moçamedes. Luís Paulo Vissunjo, director provincial da cultura do Cuando Cubango, avançou que o comboio fará o trajecto Namibe/Huíla/Menongue e as condições para o efeito já foram criadas.

O responsável garantiu que o comboio levará todo o produto cultural como cartazes, regulamento, livros, peças artesanais, entre outros atractivos criativos, visando o intercâmbio entre os excursionistas. Constam entre os excursionistas, contadores de histórias, escritores, artistas plásticas, humoristas, cantores, jornalistas, médicos e uma equipa de segurança.

Exaltar a cultura angolana

Captura de ecrã 2014-08-29, às 12.27.52A intenção da Comissão Organizadora do Fenacult é tornar o espectáculo num momento elevado de celebração e exaltação da cultura angolana, com vista a promover as tradições de diferentes comunidades, bem como criar uma plataforma de interacção, intercâmbio e divulgação do rico e diversificado património cultural do país.

O festival propõe-se avaliar igualmente os resultados da aplicação da política cultural do país e a execução dos investimentos públicos neste sector, através de colóquios e conferências; estimular e promover os criadores nacionais dentro dos mais variados artes e da literatura, através da realização de espectáculos e exposições, bem como promover o intercâmbio entre as diversas matrizes culturais, envolvendo a participação de artistas e grupos das diferentes localidades do país.

O festival propõe-se avaliar igualmente os resultados da aplicação da política cultural do país e a execução dos investimentos públicos neste sector, através de colóquios e conferências; Estimular e promover os criadores nacionais dentro dos mais variados domínios das artes e da literatura, através da realização de espectáculos e exposições, bem como promover o intercâmbio entre as diversas matrizes culturais, envolvendo a participação de artistas e grupos das diferentes localidades do país.

Ainda do decurso do mesmo, serão realizadas nas diferentes províncias feiras de indústrias culturais, lançamento de livros, exposição fotográfica, atelier de gastronomia, entre outras acções. Para os coordenadores do evento, o I Festival de Nacional de Cultura, realizado há 25 anos, permitiu que a Cultural e as Artes angolanas conhecessem um grande impulso, constituindo o início do inventário do património cultural material e imaterial, processo perturbado pelo conflito armado que o país viveu.

Comboios culturais prontos

Captura de ecrã 2014-08-29, às 12.27.37Nesta 2ª edição do Fenacult, foram incluídas três linhas de comboios culturais: o primeiro partirá da Estação dos Musseques, de Luanda pra a Malanje, transportando artistas de várias áreas, desde as artes plásticas, literatura, informações sobre o património material e imaterial, com paragens em cada uma das estações ferroviárias, para a interacção com o público.

O segundo, parte de Benguela para o Luau (Moxico) e o terceiro do Namibe ao Kuando Kubango com o mesmo objectivo. Operação semelhante, caberá também aos Catamarãs nas ligações marítimas.

O festival ocorre na sequência do III Simpósio sobre Cultura Nacional que recomenda a realização daquele certame de natureza científica, e de expressão de diversidade cultural e de avaliação do desenvolvimento cultural.

O programa de actividades da 2ª edição do Festival Nacional de Cultura, designado actualmente por FENACULT – 2014, abrange todo o território nacional e entidades e instituições angolanas no exterior, sendo o seu acto central realizado em data a anunciar pelo Ministério da Cultura.

O Fenacult, foi Instituído através do Decreto Presidencial nº 71/12, de 30 de Abril, visa incentivar a criação artística, sua divulgação e circulação de obras e bens culturais, constituindo um conjunto de acções exaltantes da cultura nacional.

O último adeus a Mamukueno

Captura de ecrã 2014-08-29, às 12.28.00Foram a enterrar quarta-feira última, no Cemitério do Alto das Cruzes em Luanda, os restos mortais do músico José Matias “Mamukueno” falecido na última semana, vítima de doença.

Entidades governamentais, colegas e amigos prestaram a última homenagem ao artista. No elogio fúnebre, lido pelo vice-presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores, Massano Júnior, foram destacadas as qualidades artísticas de Mamukueno, tido como um profissional coerente no seu labor, criativo e conhecedor dos seus deveres.

Massano Júnior considerou o desaparecimento físico de Mamukueno, uma perda para a nossa música e cultura, acrescentando que era um homem dotado de virtudes e exemplo de preservação dos valores morais e culturais.

Já o presidente da Comissão Directiva da mesma instituição Arnaldo Calado, disse que Mamukueno, considerou Mamukueno uma figura de trato fácil e grande compositor. Autor dos discos dos álbuns “Memórias de Mamukueno” (2005) e “Eza kungiambela” (2006), Mamukueno, nasceu a 5 de Outubro de 1946, em Luanda. Em 2009 gravou o single “Tambuleno”.

A sua primeira aparição em público ocorreu em 1966, como vocalista principal do grupo “Estrela Negra”, constituído na altura pelos músicos Paixão “El Óscar”, Paquete e Arnaldo Van-Dúnem “Cascadura”. O seu último disco “Nga Sakidila”, (Muito obrigado na língua kimbundo), saiu a público em 2013.

Comentários

comentários