‘Alda e Maria, Por Aqui Tudo Bem’, a primeira longa-metragem da realizadora angolana Pocas Pascoal, estreia hoje, sexta-feira, dia 03 de Outubro, no Cineplace, em Talatona.

O filme, que chega aos circuitos comerciais através da distribuidora Cinemundo, conta a estória de duas jovens angolanas que, no meio da guerra civil, fogem para Portugal, mais concretamente Lisboa, a sua capital.

Aí, enquanto aguardam ansiosamente que a mãe se lhes junte, instaladas numa pensão, vão desesperando da chegada da progenitora. Começa a acabar o dinheiro e confrontam-se diariamente com um universo aterrador que não conhecem.

Há muito de autobiográfico no filme e Pocas Pascoal não pode deixar de emprestar à narrativa o seu olhar muito pessoal sobre o drama que conta. Ela própria confessou-o: “Como eu e a minha irmã, as duas heroínas do filme, atravessam as dificuldades com uma certa ingenuidade e, apesar de tudo, conseguem manter-se solidárias e sorridentes. A candura típica da idade permite-lhes sobreviver enquanto se tornam mulheres. Nesta história procuro denunciar uma juventude quebrada pela guerra, desenraizada e, devido ao exílio, em perda de identidade.”

O filme foi distinguido no festival IndieLisboa e no Los Angels Festival. Na 9ª edição do IndieLisboa  – Festival Internacional de Cinema Independente (2012) foi considerado como  a melhor longa metragem portuguesa de ficção, no Los Angeles Film Festival 2012 recebeu o prémio de Melhor Filme de ficção, tendo merecido ainda o Prémio da União Europeia no Fespaco-Festival Pan-africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou (Burkina Faso), em 2013, e sido seleccionado para a secção Open Doors do Festival de Locarno 2014.

Produzida por Luís Correia, com direcção de fotografia de Octávio Espírito Santo, e contando com a interpretação de Cheila Lima, Ciomara Morais, William Brandão e Vera Cruz,  ‘Alda e Maria’ estreou-se em França, em Janeiro deste ano.

Pocas Pascoal nasceu em Luanda em 1963 e mudou-se para Portugal, aos 16 anos, quando se intensificou a guerra civil em Angola, tendo regressado à terra natal dois anos depois.

Mais tarde, instalou-se em Paris, estudou no Conservatório Nacional do Cinema Francês e, em 2002, integrou-se numa residência de artistas na Cité Internationale des Arts, tendo participado em várias exposições de arte contemporânea. ‘
A realizadora fez a primeira-curta metragem de ficção ‘Pour nous’, em 1998, seguindo-se os documentários “Mémoires d`enfance’ (2000), ‘Il y a toujours quelqu`un qui t`aime’ (2003) e a curta-metragem de ficção ‘Demain sera différent’ (2008).

Actualmente, Pocas Pascoal vive entre Paris e Lisboa e está a preparar a próxima longa-metragem que conta ‘a história de amor entre um soldado sul-africano e uma angolana’, lê-se no ‘dossier’ de imprensa da estreia de ‘Alda et Maria’/’Por aqui tudo bem’.

Os críticos, reconhecendo as condicionantes do filme, enalteceram-lhe as virtualidades. Ora vejamos:

O que pode faltar de rasgo em Por Aqui Tudo Bem é compensado com um naturalismo convincente e sempre capaz de nos agarrar –  Rui Pedro Tendinha/Diário de Notícias

Se o filme nunca chega verdadeiramente a levantar voo em direcção a lado algum, fica sempre com isso, com “qualquer coisa de muito real”, muito voluntarista, com que é impossível antipatizar Luís Miguel Oliveira/Público

Mais do que um retrato da miséria e do medo que marca o quotidiano de muitos imigrantes ilegais, o filme conta-nos a forma como duas irmas se vão unir para sobreviver às dificuldades, até ao momento em que cada uma delas terá de fazer as suas próprias escolhas’ Euronews

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