Terminou nesta Quarta-feira a segunda edição da Feira Nacional das Indústrias Culturais (FNIC), que decorreu de 5 a 10 de Setembro, em Luanda, e foi marcada pela fraca participação do público

Enquadrada no Festival Nacional da Cultura (Fenacult 2014), a decorrer em todo espaço nacional até ao próximo dia 20, a segunda edição da FNIC terminou sem público e os expositores tiveram dificuldades para venderem os seus produtos.

Em declarações a O PAÍS, Pedro Hospital, artista plástico da província do Huambo, lamentou a fraca participação do público, mas, ainda assim, enalteceu a iniciativa do Ministério da Cultura em promover o evento.

O artista que participou na primeira edição do Fenacult, realizado em 1989, que decorreu no Estádio Nacional da Cidadela, como actor de teatro, declamador de poesia e contador de estórias, participou neste evento como artista plástico.

“O Ministério da Cultura deveria aproveitar a produção estética e artística dos produtos aqui expostos para formar uma galeria nacional de artes plásticas, ou fazer um catálogo a nível de todas as artes”, sugeriu Pedro Hospital.

Quem partilhou a mesma ideia é Laura João, artesã há mais de 10 anos, que realçou a importância que têm os eventos do género para os artistas e para a sociedade. A artesã defendeu que não se deve simplesmente vender, mas é importante que os materiais artísticos sejam divulgados.

“O país não sobrevive simplesmente de economia, política e outras estruturas. A cultura é o elemento basilar para a construção de uma sociedade equilibrada e tranquila”, defendeu Laura.

Preocupada com o crescimento cultural e intelectual dos estudantes angolanos, a interlocutora de O PAÍS reconheceu que há uma infinidade de escolha para os visitantes, de livros da era de António Agostinho Neto e de outros escritores e artistas consagrados que marcaram a época passada. Já Adilson Félix, que expõe pela primeira vez a título individual, mostrou-se congratulado pela oportunidade e garantiu à nossa reportagem que a experiência foi boa. Embora os expositores tenham afirmado fazer um balanço positivo, em termos representativos, mas também não esconderam a sua insatisfação.

Largo da Independência

Em comparação com a primeira edição, realizada no ano passado, os participantes alegaram que a Feira Internacional de Luanda (FIL) não foi o local mais acertado, por estar distante do público-alvo, acrescentando que há quem associe as obras artísticas com a fantasia do feitiço.

“As pessoas que valorizam o nosso trabalho são os estrangeiros. Quando o Ministério da Cultura realizar uma feira de cariz internacional, aí sim, haverá muita adesão”, disse a fonte. Laura João também participou na feira e disse que as “linhas de Angola” e os “chapéus de mateba” são alguns dos produtos que ela mais vendeu, por oferecerem um preço atractivo.

Livro e artesanato

Num universo de diversos produtos artísticos provenientes de vários pontos de Angola, a segunda edição da FNIC contou com diversas participações, mas as editoras e os artistas plásticos são os que mais se destacaram.

Mais de 30 livrarias expuseram os seus livros, destacando-se as editoras Irmãs Paulinas, Texto Editores, Club de Livros e expositores individuais. Já no artesanato o realce foi para a província do Huambo, Kwanza Sul, Uíge e Luanda, com maior representação artística.

A gastronomia, também marcou presença com uma diversidade de iguarias, conforme os hábitos e costumes de cada região.

Inovação

Várias actividades preencheram os espaços e prenderam a atenção do pouco público, nomeadamente, a gastronomia, medicina tradicional, desfiles de moda, colóquios, danças e concertos musicais, que foram as mais concorridas.

As palestras aconteceram no ‘Espelho de água’, um espaço que fica logo à entrada da FIL, e foram marcadas com um elevado grau de absentismo, pois os poucos que visitaram são alunos que estudam nas cercanias da FIL, para colmatar a fraca participação do público.

Feira da cultura todos os anos

Tendo em conta a positividade da edição, Venâncio Kalitangue garantiu à nossa reportagem que todos os anos vão realizar a Feira Nacional das Indústrias Culturais, para impulsionar, cada vez mais, a criação artística no seio dos artistas angolanos.

Visivelmente satisfeito, o responsável destacou a sua importância, afirmando que ‘o artesanato pode passar de manual para industrializado bem como a medicina tradicional e moda.

“Todos os medicamentos que usamos actualmente saíram da medicina tradicional e o mesmo acontece com os trajes. A nossa intenção é tirar a cultura do anonimato e mostrar às pessoas o que ela representa para uma nação”, defendeu Kalitangue.

Objectivos da FNIC

Sob o lema ‘Por uma cultura de paz, promovamos as indústrias culturais’, numa organização do Ministério da Cultura em parceria com a Feira Internacional de Luanda (FIL). O evento acolheu artistas provenientes de todas as províncias do espaço angolano, excepto a da Lunda Norte, que esteve ausente por razões não justificadas pela organização.

Apesar da fraca participação, o coordenador adjunto para área técnica da FNIC, Venâncio Kalitangue, declarou que em termos numéricos a edição de 2014 ultrapassou as expectativas, com uma participação acima de 200 expositores.

Segundo o entrevistado, os objectivos traçados pela organização foram todos alcançados, desde a produção artística à adesão do público, acrescentando que o intuito foi o de promover os hábitos e costumes do nosso povo, bem como mostrá-los ao mundo.

Quem visitou a segunda edição da Feira Nacional das Indústrias Culturais teve a oportunidade de adquirir várias obras de arte, nomeadamente, pintura, escultura, artesanato e livros produzidos por artistas e escritores nacionais.

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