Definitivamente, os povos já só querem saber de políticas feitas para as pessoas. Não importa o ponto da geografia, conta menos ainda o grau de desenvolvimento das sociedades e ficam de fora dos cálculos, igualmente, o nível de ideologização que se tenha atingido ou não numa comunidade determinada. Por isso, vai-se tornando cada vez mais difícil a política como modo de vida. O grau de exigência sobe sem parar e a tendência que se acentua é a de se olhar para os políticos – obviamente há nisso, por vezes, um nítido e assombroso exagero – como uma espécie pouco confiável.

Esta é a razão pela qual, ao redor do mundo, as eleições se vão tornando, com o passar dos anos, disputas ferozes com desfechos inúmeras vezes improváveis. Improváveis não necessariamente pela surpresa de quem as vence mas pela expressão do desencantamento do eleitorado, que se conta pelos números da abstenção. A política é hoje um amplo e infindo desencanto, necessitado de reformulação vigorosa e honesta, para que ela – curiosamente- não falte aos povos pois não existe outro modo de se gerirem as sociedades fora dos limites e das regras da política pública.

Em 2017, alguns minutos a reflectir sobre estas ideias e percepções, parece um exercício que merece a pena: ano eleitoral; jogos políticos em estudo e em teste; gente sonhando com o poder; acções de Estado em curso, como o registo da população votante, preparação da logística, etc. À parte tudo isso, a vida que flui, a vida que não pára! Lembramo-nos hoje de falar da governação como responsabilidade de se servir as pessoas pelos acontecimentos que se vão repetindo aqui e ali e fazem perceber a pertinência do sentido de urgência na tarefa de se acudir às necessidades colectivas.

Aquilo a que Agostinho Neto, com magistralidade soberba, chamou de “resolver os problemas do povo” como, afinal, a missão “mais importante” de quem ocupa cargo público. Há sinais que nos fazem sentir bem como cidadãos, como povo, como os tais para quem está virada a acção dos escolhidos para o acto de governar. Três ou quatro nos últimos tempos, para refrescar a memória: o surto de cólera no Zaire, mais propriamente no município do Soyo, que foi motivo de uma mobilização a um nível tal que dá boa nota ao Executivo no quesito “sentido de urgência” no acto de governar; o trágico acidente de viação no sempre assustador Morro do Mbinda, Cuanza Norte, com mortos e feridos, que colocou em acção José Maria dos Santos, o governador provincial, mergulhando no ambiente nunca fácil das emergências hospitalares; as investidas humanizadas do novo governador do Huambo, João Baptista Kussumua, que vai aos mercados a céu aberto e dialoga com as vendedoras, se senta na escadaria de uma estação ferroviária e ouve uma anciã certamente com inquietações a colocar, carrega ao colo o filhinho da zungueira e, mais do que isso, se passeia pela cidade para perceber a dimensão do “ataque” do lixo e outras imundices e, com base na constatação, ripostar com tudo o que se tiver à mão, numa “guerra” que, se enfrentada com sonolência, altera a rotina dos cemitérios com o aumento do número de funerais.

Esta é a política, na sua expressão quotidiana, frontal, aberta, com avaliação directa e sem favores, do povo que dela beneficia! Num ano eleitoral, a arquibancada tem um valor que supera o seu peso no universo do futebol. É o lugar mais apetecível que se pode ocupar, porque, de lá, se assiste a tudo com nitidez e sem visões desfocadas. E é na arquibancada que o povo se sentou, olhando para o trabalho dos seus políticos. Daqui a poucos meses, será o exame final, com a expressão da vontade livre de cada um, no acto de votar. Este, portanto, é um tempo de se fazer bem o que tem de ser feito. Já só existe uma política que seduz, que congrega, que constrói vitórias: a que se faz para as pessoas!

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