Na ressaca das declarações que fez sobre a corrupção no futebol angolano, na semana passada, o antigo presidente do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, assegurou a O PAÍS que recebeu ameaças e telefonemas anónimos.

Deste modo, o então dirigente desportivo afirmou que o teor das mensagens eram ofensivas, sendo que chegaram a questioná-lo se estava bêbado quando fez aquelas afirmações.

Horácio Mosquito disse que uma das mensagens realçava que “estás a fugir agora que a Caála está na lama, o Estado apoia o clube, mas gastam o dinheiro para fins pessoais, vão sofrer”.

Depois do sucedido, o ex dirigente confirmou a este jornal que já fapresentou a queixa à Polícia Nacional, porém os órgãos competentes já estão a tratar do assunto. Segundo o mesmo, os números das pessoas que fizeram os telefonemas e as ameaças já estão identificados, deste modo as investigações para se encontrar os supostos “meninos de recados” estão a ser feitas.

Por sua vez, Horácio Mosquito esclareceu um outro equívoco, dizendo que nunca corrompeu árbitros estrangeiros, mas sim nacionais que usam a camisola com a insígnia da CAF e da FIFA nos ombros.

O antigo dirigente rebateu as declarações avançadas pela Federação Angolana de Futebol (FAF), uma vez que o órgão que rege a modalidade no país pretende levar o caso a Confederação Africana de Futebol (CAF).

Ainda assim, Horácio Mosquito mostrou-se admirado, pelo facto de a FAF o suspender depois de ter feito a conferência de imprensa para falar da corrupção no futebol em Angola, na semana passada, no Hotel Epic Sana, em Luanda.

A FAF alegou que a suspensão é resultado das declarações que fez no jogo da décima quarta jornada do Girabola, Campeonato Nacional, frente a Académica do Lobito (Benguela), no dia 24 de Maio, às 15 e 30.

Deste modo, o antigo dirigente afirmou que não foi ouvido pelo Conselho de Disciplina do órgão que rege o desporto rei no país, mas já tinham passado duas semanas.

Os regulamentos da FAF dizem que quando os dirigentes ou treinadores se insurgem contra a equipa de arbitragem devem ser sancionados, porém Horácio Mosquito questiona por que razão é que a suspensão não saiu na semana seguinte.

Cargo a disposição

Para não prejudicar o processo de investigação sobre a corrupção no futebol angolano, o então presidente de direcção do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, colocou o cargo a disposição. Segundo o mesmo, o clube será gerido por uma comissão de gestão, pois posteriormente será eleito um novo presidente, quando se realizar no próximo dia 20 a Assembleia Geral extraordinária.

Na Assembleia Geral, os membros do clube vão analisar o relatório e contas que vão de 2012 a 2015 e o balanço geral desde a ascensão a primeira divisão em 2009.

Na semana passada, Horácio Mosquito disse em conferência de imprensa que endereçou uma carta a Procuradoria-Geral da República (PGR) e outros órgãos, denunciando actos de corrupção no futebol angolano.

FAF abre inquérito

Em reacção as declarações de Horácio Mosquito, o secretário-geral da FAF, Cardoso de Lima, disse a O PAÍS que o órgão que rege a modalidade criou uma comissão de inquérito para apurar a verdade. O secretário-geral foi suspenso por 30 dias devido as declarações que proferiu na cidade do Lobito, província de Benguela, onde perderam por uma bola sem resposta.

Para o secretário-geral, importa esclarecer os factos, porque está em causa a busca da verdade material, por isso o inquérito vai levar algum tempo a ser esclarecido.

Cardoso de Lima disse que vão trabalhar com muita ponderação, no sentido de fazer um serviço mais justo, de modo que seja feita justiça ao futebol e ao desporto.

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