O bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola (ORDENFA), Paulo Luvualo, garantiu que os funcionários das unidades hospitalares que assim procedem, se denunciados, serão punidos em harmonia com o estipulado no Código de Ética e Deontologia

Paulo Luvualo afirmou que os hospitais públicos estão proibidos de vender medicamentos de uso exclusivo nas unidades de saúde. Interdição, que também suspende os processos de compra em curso. “Condenamos a venda de remédios nos hospitais públicos, porque são hospitais que trabalham com o Orçamento Geral do Estado (OGE).

Se o Estado é que compra os medicamentos, é incorrecto a sua venda nas unidades sanitárias públicas e o profissional que procede dessa maneira é sancionado de acordo com o Código de Ética e Deontologia”, declarou.

Para o responsável, são muitas as vezes em que os cidadãos se deparam com essa situação e não denunciam e, sem denúncia, nada se pode fazer.

Segundo o bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola, Paulo Luvualo, a maior preocupação dos enfermeiros a nível do país é o número insuficiente de profissionais nas unidades sanitárias e a escassez de materiais e equipamentos para o exercício da profissão, o que limita as condições de trabalho.

A classe dos enfermeiros no país representa a maior parte da força de trabalho no sector da saúde, sendo ainda a categoria mais visível no mesmo segmento e a que durante mais tempo interage com ao doente. Por causa dessa insuficiência regista-se um défice, designadamente no domíno do respeito aos princípios éticos e deontológicos e na humanização dos serviços, sobretudo na enfermagem, facto que levou a ordem a realizar debates acerca da Ética, Humanismo e Profissionalismo para detectar as causas reais.

“O atendimento aos cidadãos não tem sido o melhor e a classe da enfermagem pode e deve ser potenciada cada vez mais no domínio dos princípios éticos e deontológicos para melhorarmos a qualidade da assistência”, considerou.

A ordem, o sindicato e a Associação Nacional dos Enfermeiros estão a trabalhar em conjunto com o Ministério da Saúde para resolverem a questão do melhoramento salarial e das condições de trabalho, porque este tem constituido um dos factores que afectam a qualidade da assistência.

“Um profissional que trabalha em condições não apropriadas e tem um salário não adequado não tem uma boa moral para exercer a função, mas, ainda assim, apelamos aos nossos profissionais que as condições de trabalho e os salários baixos não justificam a falta de humanização, de ética e de deontologia profissional”, acentuou.

Por sua vez, a consultora em enfermagem Judith Luacute, explicou que a enfermagem é uma profissão do cuidar, e cuidar do ser humano requer que se tenha ética e que exista empatia entre o cuidador e o individuo cuidado. “Isso faz com que o paciente se sinta bem cuidado” salientou.

Para a responsável “é preciso reforçar o trabalho, aumentar as competências técnicas e científicas para que se possa dar um tratamento eficaz aos pacientes. É preciso recrutar e treinar mais técnicos para que estejam capacitados para tratar os pacientes com qualidade e com brio profissional”, sublinhou.

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