centros de hemodiálise regressam ao trabalho em Benguela

Os funcionários dos centros de hemodiálise de Benguela e Lobito retomaram o trabalho, esta Quinta-feira, 16, três dias depois de terem paralisado as suas actividades por falta salários

Por: Constantino Eduardo, em Benguela 

Os 120 funcionários dos centros de hemodiálise resolveram regressar ao trabalho depois de uma reunião que mantiveram com a direcção do Instituto Angolano do Rim, entidade que tutela os centros, em que esta se comprometeu a pagar, já nos próximos dias,três dos seis meses de salário em atraso. Os funcionários declararam que reinou o bom senso entre as partes, em respeito pela vida de duas centenas de pacientes que padecem de insuficiência renal assistidos nos dois centros, de Benguela e Lobito.

Segundo revelou o funcionário Armando José, ficou a garantia das autoridades de que casos do género não se repetirão e “serão resolvidos de maneira mais transparente”. A entidade comprometeu- se a liquidar, ainda esta semana, três meses dos salários em dívida.

Contudo os funcionários advertem que, caso não se cumpra, “vamos convocar uma reunião com a direcção do Instituto para saber o que se está a passar realmente”.

Por sua vez, o administrador do Instituto Angolano do Rim, Jesus Rasgado, enalteceu o facto de se ter ultrapassado o diferendo com os trabalhadores, mas refere que o problema não está definitivamente resolvido, uma vez que o Ministério da Saúde tem dívidas avultadas para com a sua instituição que remonta a 2014, 2015 e 2016. Entretanto, revela Jesus Rasgado, a dívida relativa a 2017 é superior a 1 bilhão de kwanzas, tendo o Ministério das Finanças liquidado apenas 260 milhões. “Neste preciso momento procuramos resolver a questão dos salários. O pagamento dos três meses já está resolvido”, garantiu.

Apesar dessa dotação das Finanças, os centros debatem-se com outros tipos de problemas, relacionados fundamentalmente com a aquisição de fármacos. “Mas é evidente que temos problemas de valores para aquisição de medicamentos e outros consumíveis (aquisição de água e combustíveis), é necessário dinheiro para fazer face”, reconheceu o responsável.

Jesus Rasgado salienta que “se o Ministério da Saúde não nos paga, é evidente que a gente também não pode honrar com os trabalhadores”, prometendo então manter o diálogo com o Ministério da Saúde visando o liquidar a dívida para não comprometer o funcionamento dos centros.