O Quénia, Raila e o rasto de sangue

Uhuru Kenyatta é o Presidente do Quénia e não se fala mais disso. Esta é a conclusão a que se chega depois de, ontem, o supremo tribunal daquele país ter dado como válidos os resultados eleitorais do passado dia 26 de Outubro. Estas eleições foram a repetição de um outro acto contestado pela Oposição.

Por: José Kaliengue

O opositor de Kenyatta, Raila Odinga, é que não está para os ajustes e já declarou que também não aceita os resultados da nova eleição. Aliás, ele boicotou-as. Entretanto, na hora do veredito do tribunal, ele deixou o país, e deixou também, atrás de si, imensos mortos causados pela violência eleitoral e pós-eleitoral. Que ele próprio agitou, diga-se.

É o já rançoso discurso da fraude em África, não se perde, apenas há fraude. Vi uma vez Odinga em Adis-Abeba, numa cimeira da união africana, vi como deixou Jean Ping, o antigo presidente da Comissão da UA, com os nervos em ebulição.

Na altura falava-se do impasse pós-eleitoral na Côte D’Ivore, opondo Alassane Dramane Ouattara e Laurent Gbagbo, buscava-se um caminho, Odinga era dos incendiários. Convocou uma conferência de imprensa que acabou interrompida por Ping aos gritos.

A política pode e deve ser feita de outra forma, sobretudo sem ter de sustentar-se sobre a morte de outras pessoas. Políticos como Odinga devem ser perseguidos e julgados e devem pagar por cada morto resultante da sua irresponsabilidade perante as leis e a democracia.