Sindicatos dos enfermeiros quer combater a “gasosa”

Organização de defesa dos enfermeiros entende que o baixo ordenado não pode justificar a actual prática de extorsão de valores monetários que se verifica nas unidades sanitárias

Por: Domingos Bento

A Ordem dos Enfermeiros de Angola leva a cabo uma acção de formação e capacitação dos técnicos de saúde de diversas unidades sanitárias de Luanda. A ideia, segundo o seu secretário-geral adjunto, Elísio Magalhães, é dotar os seus associados de um conjunto de normas e procedimentos éticos destinados a desincentivar a actual cobrança de valores financeiros aos utentes, incluindo os seus familiares, nas unidades hospitalares.

O fenómeno, a também conhecida “a gasosa”, é uma prática que afecta na qualidade de atendimento dos pacientes e causa, geralmente, a morte de cidadãos, advertiu Elísio Magalhães. No entanto, neste momento em que o país assume um combate cerrado à corrupção e a outras condutas nocivas à vida dos cidadãos, o responsável referiu que a sua organização está engajada na eliminação, o mais brevemente possível, do fenómeno gasosa no seio da classe.

Segundo Elísio Magalhães, o processo conhece o seu início com este ciclo de visitas, auscultação e interação com os enfermeiros, para depois accionar-se as medidas punitivas que podem conduzir a detenções ou mesmo à expulsão dos técnicos que insistirem na prática.

Numa primeira fase, frisou a fonte, as visitas de constatação e auscultação estão a ser desenvolvidas nos hospitais centrais e nacionais, por albergarem o maior número de técnicos e, consequentemente, o maior número de pacientes. Desde que este processo arrancou, revelou Elísio Magalhães, a sua organização já funcionou nos hospitais Maria Pia, Psiquiatria de Luanda e Pediatria David Bernardino, cujos associados auscultou e submeteu a um ciclo de formação sobres os males que advêm da cobrança da conhecida “gasosa”.

“Temos recebido muitas reclamações de pacientes sobre o comportamento dos nossos enfermeiros. Por esta razão, decidimos entrar no terreno.

Estamos a ouvir os técnicos e a capacitá-los para, primeiro, transmitir conhecimento e posteriormente punir, em colaboração com os órgãos de direito do país. Pretende-se reduzir ou mesmo acabar com essas práticas no seio da classe”, rematou.

Baixo ordenado não pode justificar gasosa

Segundo ainda Elísio Magalhães, na maior parte dos hospitais já visitados constatou-se que os constrangimentos dos técnicos de saúde são transversais. As suas reclamações prendem-se com o baixo ordenado, a não reconversão de carreiras e as débeis condições de trabalho. Essas situações, conforme sublinhou, têm contribuido para a fraca motivação laboral.

Contudo, o secretário-geral adjunto da Ordem dos Enfermeiros de Angola defende que tais dificuldades não devem constituir pretexto para cobrar “gasosas, nem para desprezar pacientes que carecem de apoio clínico”. Para Elísio Magalhães, dificuldades todos vivem, entretanto, é necessário que se priorize a vida, por constituir o bem mais precioso, e pela qual os técnicos de saúde devem lutar para manter, apesar de todas as vicissitudes. Segundo o responsável, grande parte dos enfermeiros em Angola aufere um salário equivalente a 60 mil kwanzas, um valor insuficiente para cobrir as suas necessidades diárias.

Para inverter este cenário, conforme avançou, um caderno reivindicativo já foi elaborado e encaminhado ao ministério da Saúde, em que reclamam por uma melhoria salarial. “O país vive uma fase de transformações. Vamos ficar confiantes que as coisas podem mudar. Enquanto isso, precisamos de ter calma e desenvolver melhor o nosso trabalho em prol da vida humana”, recomendou o responsável