Trabalhadores da TCUL “derrubam” antiga administração

Funcionários depositam confiança na nova gestão, ontem nomeada, e acreditam em dias melhores com a retirada de cena da anterior administração.

POR: Domingos Bento

A destituição do antigo Conselho de Administração da empresa de Transportes Colectivos e Urbanos de Luanda (TCUL), chefiada por Freitas Neto, coincidiu com o dia da greve generalizada convocada ontem pelo sindicato dos trabalhadores que, há mais de três anos, vêm exigindo a demissão dos gestores da operadora por estes cometerem uma série de irregularidade internas, disseram a OPAÍS.

Para substituir Freitas Neto, o Ministério dos Transportes nomeou Abel António Cosme, que passará a dirigir o novo Conselho de Administração. No entanto, com o “derrube” da equipa de Freitas Neto, tido como “insensível”, os funcionários decidiram não mais avançar com a greve, porque entenderam
que foi resolvido um dos pontos do caderno reivindicativo que abarca ainda outras reivindicações como o pagamento pontual e regular dos salários, pagamento do seguro de saúde, pagamento de subsidio de alimentação ou a reabertura do refeitório, regulação do pagamento da segurança social entre outros.

Segundo os funcionários, Freitas Neto e toda a sua equipa vêm, desde 2013, a “afundar” a empresa com uma série de medidas desumanas e despedimentos arbitrários. Por este motivo, ao longo desses anos todos vêm escrevendo para vários organismos públicos e ao órgão de tutela para que se “expulsasse” da direcção o administrador cessante e todos os seus colaboradores.

Portanto, a convocada greve generalizada, marcada para o início da manhã de ontem, era a única saída encontrada pelos funcionários e que tinham como grande motivação pressionar o Ministério dos Transportes a demitir os antigos gestores. “Quando entrou na empresa, em 2013, pensámos que o senhor Freitas seria a solução de alguns problemas que vivíamos.

Mas enganámo-nos. Agora lhe derrubamos e estamos felizes”, desabafou António Gonçalves, trabalhador da empresa há mais de trinta anos. Já Luísa Paquete, de 59 anos, trabalhadora da empresa há 37, diz que a demissão do anterior Conselho de Administração desperta-lhe o sentimento do dever cumprido, por ser esta a sua grande luta nos últimos tempos.

Conforme explicou, encontra-se com o tempo de trabalho vencido. E até ao momento não foi ainda à reforma porque a empresa não paga à Segurança Social.