Uma só luz não basta

Angola é um território grande, tem diversidade cultural, geográfica, etc., é impossível desenvolver este país criando-lhe uma única locomotiva, um único centro. E, nisto, até parece que os colonos tinham entendido melhor do que nós, distribuindo pequenos “rebuçados” por várias regiões.

POR: José Kaliengue

Vamos a alguns exemplos: A estação do CFB do (luso) Luena tinha o maior alpendre do país, cobria uma composição inteira de carruagens de passageiros; Silva Porto (Cuito) tinha uma fábrica de discos de vinil e o pavilhão desportivo com um dos melhores pisos (flutuante) do império, agora cimentamos aquilo; Nova Lisboa (Huambo) era o centro do conhecimento científico agrário, tinha uma sala (Ruacaná) com uma decoração invejável, tinha uma estufa-fria igual a de Lisboa…; Carmona (Uíge) sustentava parte da economia angolana com o café que exportava; Sá da Bandeira (Lubango) tinha (tem) o Cristo Rei, o maior parque florestal “artificial” do território (Nossa Senhora do Monte), com 40 hectares, além de ter um campo de futebol, um lago enorme, espaços de laser, casinos, restaurantes, etc..

Está longe do que deve ser; o Lobito era a sala de visitas de Angola, tinha um dos melhores carnavais do mundo, tem um porto importantíssimo; A sala de espectáculos “Monumental” com melhor acústica está em Benguela, hoje só igrejas… cada região tinha o seu torrão de orgulho.

E, em cada uma delas despontavam famílias, clubes, associações, personalidades que não tinham de se concentrar em Luanda para serem alguém ou para terem autoridades nas suas áreas de domínio, científico, cultural, ou financeiro. Nós inventamos que Angola é só Luanda. O que temos são seis milhões de almas neste “purgatório-capital” a sofrer o que o inferno talvez não tenha inventado ainda.