Bembe pode vir a ser das maiores regiões piscícolas do país

O centro de assistência técnica lançado pelo Ministério das Pescas e do Mar em parceria com a FAO visa transformar os municípios do Bembe e Ambuila em regiões de desenvolvimento da pesca continental, no quadro do programa de combate à fome.

POR: Brenda Sambo, enviada ao Uíge

A ministra das Pescas e do Mar, Victória de Barros Neto, lançou, no município do Bembe, na localidade do Vale do Loge, a 260 quilómetros do município sede do Uíge, a primeira pedra para a construção de um Centro de Assistência Técnica para a Pesca e Utilização Responsável dos Produtos Piscícolas nas comunidades ribeirinhas continentais.

A plataforma, que será financiado pelo Governo e a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação, apresentará uma das maiores capacidades de conservação do pescado e venda de equipamentos para a pesca continental a nível nacional. A ministra referiu tratar-se do segundo projecto do género a ser implementado no país, tendo em vista o aproveitamento do pescado pós-captura e a melhoria da cadeia de produção.

A plataforma vai permitir que haja maior capacidade de conservação de pescado, assim como a venda de alguns equipamentos e produtos que servem de apoio à pesca. “Com isso, queremos fazer com que essa localidade se torne numa região de desenvolvimento da pesca continental”, frisou.

Para a governante os subsectores da pesca artesanal e da aquicultura apresentam se como verdadeiros impulsionadores do progresso económico e social das comunidades, em particular no meio rural, contribuindo para a segurança alimentar e nutricional, bem como para a criação de empregos directos e indirectos para os jovens, nomeando, em especial, as mulheres vendedoras de pescado. Acrescentou que o desenvolvimento dos subsectores “vai permitir o aumento do rendimento familiar, dando corpo ao programa do Executivo de combate à fome e à pobreza”.

Bembe vai exportar peixe
A província do Uíge pode ser uma região extremamente importante na produção piscícola, não só para abastecer o mercado local e a provincia no geral, mas também para abastecer outros mercados vizinhos, considerou Victória de Barros Neto. “A partir daqui se fará a exportação para alguns países vizinhos, como a República Democrática do Congo, entre outros”, disse.

A governante referiu ainda que a província do Uíge tem merecido uma atenção especial por parte do sector das pescas, não só devido à sua posição geográfica, mas, principalmente, pelos recursos hídricos que possui. Lembrou que, em 2014, foi lançado na província do Uíge o Programa Oficial de Apoio à Pesca Continental, no âmbito da execução do Plano Nacional de Pesca Artesanal, Marinha e Continental (2014-2017), com foco na gestão da utilização do pescado.

O programa visou também aplicar as melhores práticas por forma a reduzir a pobreza nas comunidades piscatórias, aumentando assim a valorização da actividade da pesca fluvial. O programa criado em parceria com a Organização das Naçoes Unidas para a Alimentação (FAO) vai, acentuou Victória de Barros Neto, ajudar a contribuir para o “desenvolvimento e a modernização do subsector da pesca artesanal e continental no país, devendo a pesca em Angola ser modernizada e fazer parte do programa de diversificação da nossa economia”.

A titular das Pescas chamou a atenção para a importância da formação profissional, da melhoria das condições higieno-sanitárias e do fortalecimento das capacidades técnicas dos pescadores e das mulheres processadoras das comunidades e arredores do município do Bembe.

O pólo de N´golome
Ainda no âmbito do projecto lançado no Uíge foi também implementado na comunidade piscatória do N´golome, localizado na província do Cuanza Norte, o Projecto de Vulgarização de Técnicas Para a Redução de Perdas Pós-Captura. A comunidade do N´golome, assinalou a ministra, foi convertida num autêntico Pólo de Desenvolvimento, integrando assim todas as componentes da pesca continental e da aquicultura.

Entre as infra-estruturas de apoio à pesca destacam-se a construção e apretechamento do Centro de Processamento e Beneficiamento do Pescado, tendo sido também introduzidos os projectos de piscicultura do cacusso em gaiolas e de horta comunitária para apoio social e combate ao analfabetismo, assim como salas de aulas.

A ministra disse ainda que, face ao êxito alcançado, a comunidade de N´golome foi distinguida pela FAO com o prémio de melhor projecto comunitário “Edourado Saouma”, realizado anualmente pela organização. Por sua vez, o representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em Angola, Mamadu Diallo, realçou que o projecto de desenvolvimento da pesca continental lançado vai abarcar toda a cadeia de produção, nomeadamente a captura, pós-captura, transformação e comercialização do pescado. Prometeu continuar a trabalhar no sentido de ajudara lançar projectos da mesma natureza em outras regiões do país.