Estratégia financeira passa por combate ao branqueamento de capitais e prevenção do risco

O plano estratégico de desenvolvimento do sistema financeiro para 2018/2022 deverá ser aprovado em breve, revelou o secretário-executivo do Conselho Nacional de Estabilidade Financeira, que levantou o véu sobre o seu conteúdo.

POR: Borges Figueira

O branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, bem como a prevenção de risco, constam do plano estratégico de desenvolvimento do sistema financeiro para o período 2018/2022, a ser aprovado a breve trecho pelo Conselho Nacional de Estabilidade Financeira (CNEF), revelou Sexta-feira, em Luanda, o secretário-executivo do CNEF, Gilberto Luther.

O responsável, que falava durante a 59ª edição do First Friday Club da Câmara de Comércio Angola/ EUA, adiantou que o documento estruturante assenta em quatro pilares e está alinhado com o plano intercalar do Governo, delineado em Outubro de 2017 e que vigorará até Março de 2018.

Segundo Gilberto Luther, o documento poderá ser aprovado ainda este ano pelo conselho, composto pelos reguladores e integrando o Banco Nacional de Angola BNA), Comissão do Mercado de Capitais (CMC), Agência de Regulação de Seguros (ARSEG) e o Ministério das Finanças.

“Os pilares constantes neste plano são vitais para se perceber melhor aquilo que é o objectivo do Executivo e dos reguladores no que diz respeito às politicas do quadro de desenvolvimento do sector financeiro de Angola, com a recuperação da sua estabilidade, tanto no ponto de vista interno como internacional”, acrescentou o secretário- executivo do CNEF.

Acautelar crises
Segundo ainda com Gilberto Luther, o plano estratégico de desenvolvimento do sistema financeiro 2018/2022 visa essencialmente garantir que as principais funções do mercado financeiro não sejam interrompidas no quadro de eventuais crises, ou seja, permitir que o país tenha resiliência e capacidade de ultrapassar riscos que possam ocorrer.

Paralelamente à criação da estabilidade financeira, o plano tem entre outros pilares, como a promoção dos sectores menos desenvolvidos no sistema financeiro, com maior realce para a Comissão do Mercado de Capitais e o sector dos seguros, bem como os fundos de pensões. No âmbito do programa de aumento dos investimentos americano em Angola e a celebração, em 2018, dos 25 anos de relações diplomáticas entre os dois países, a Câmara de Comércio Angola/EUA vai preparar uma missão empresarial focado na agricultura, segundo informou na ocasião a presidente daquela entidade, Maria da Cruz.

Para Maria da Cruz, a missão tem como objectivo essencial juntar empresários angolanos e americanos ligado ao sector da agricultura, e encontrar projectos que possam merecer investimento americano, no quadro da diversificação da economia em curso no país, acrescentou. De acordo com a presidente da câmara, o plano de desenvolvimento de estabilidade do sistema financeiro, elaborado com o apoio do Banco Mundial, vai propiciar mais investimento para Angola e vice-versa.

No quadro deste plano será realizado um fórum de negócios Angola/EUA, para rever os aspectos acordados que têm a ver com o sector privado. A Câmara de Comércio Estados Unidos da América – Angola (USACC) é a única e mais antiga organização que se dedica exclusivamente à promoção das relações comerciais entre Angola e os Estados Unidos. A câmara, dirigida em Angola, a partir deste ano, por Chindaleca Lourenço, está empenhada em investir na diversificação da economia angolana e elevar o nome de Angola ao mais alto nível nos Estados Unidos, de modo a garantir o aumento do investimento americano em Angola e criar condições para a exportação de produtos ‘made in Angola’ para os Estados Unidos.

Angola já foi o segundo maior exportador e terceiro maior parceiro dos Estados Unidos em África, segundo indicam os dados fornecidos pela embaixada norte-americana no país. Ainda segundo dados da embaixada, Angola exporta apenas petróleo e diamantes para os Estados Unidos. Entretanto a diversificação das exportações permanece um grande desafio para o segundo maior produtor de petróleo em África, realidade que não se verifica noutros países africanos onde há maior diversificação.