Editorial: Palavras cruzadas

Não, não se trata de um jogo, o que temos assistido é algo muito mais sério. Figuras angolanas com algum destaque na sociedade têm-se envolvido em troca de palavras que, por um lado, em nada ajudam no desenvolvimento do país, mas, por outro, são a expressão da sua liberdade de expressão, que mesmo assim deveriam ponderar.

Nos comentários que cada um vai fazendo às acções de outros, com a intenção clara de chegar ao maior número possível de “ouvintes”, tem faltado, se calhar, o cuidado de prever as consequências dos pronunciamentos, sobretudo no aproveitamento e descontextualização que as redes sociais fazem deles. A lei a penalizar os crimes informáticos ou cometidos no ciberespaço podem até ser severas, mas nada como a prudência para evitar problemas maiores.

Seja como for, até porque basicamente os protagonistas são sempre os mesmos e porque o sentido das argumentações são mais ou menos conhecidos, o jogo começa já a fartar, talvez este Natal seja uma boa altura para um silêncio e reflexão, para o bem de Angola. Há muita coisa em jogo, é bom que se pense nisso.