Educadores Sociais clamam por reconhecimento

O papel do educador social ainda não é visível em algumas instituições, quer públicas como privadas, pelo que os técnicos clamam por reconhecimento por parte da sociedade angolana.

POR: Stela Cambamba

Manuel dos Santos, administrador municipal adjunto e educador social do Cuaba Nzogi, província de Malanje, explica que o trabalho desenvolvido pelo educador social ao nível do seu município é visível,e “o que precisam é de um reconhecimento por parte da sociedade civil angolana e maior abertura das instituições, sobretudo as públicas, para acolher os profissionais no seu quadro de pessoal”.

Segundo o educador social, os seus colegas de profissão têm desenvolvido actividades privadas. Sublinha que nos hospitais, postos e centros de saúde a figura deste trabalhador devia ser privilegiada, porque desenvolve acções de assistência psicossocial, permite a efectivação de uma política pública nacional que é a da humanização dos serviços de saúde.

Mas que, infelizmente, por causa desta falta de reconhecimento do seu papel social, estes espaços são ocupados por outros profissionais de outras áreas, e isto tem estado a contribuir para o agravar da confusão que a sociedade tem sobre o verdadeiro papel do profissional na sociedade.

O administrador municipal adjunto conta que o educador social é um técnico cujas actividades seguem padrões próprios de ética e deontologia, e um mero curioso que trabalhe como educador social desempenha um trabalho que
não satisfaz as expectativas das pessoas. Disse ainda que é prejudicial, para os profissionais formados na área, o facto de não terem emprego e encontrarem pessoas que se intitulam educadores sociais enquadradas, na sua maioria, em hospitais.

De acordo com Manuel dos Santos, no seu município há apenas dois educadores sociais, número insuficiente, tendo em conta as várias necessidades específicas que devem ser desenvolvidas. O responsável acredita que, se se integrar educadores sociais nas administrações municipais, os planos de desenvolvimento municipal vão ser incorporados e os profissionais poderão fazer pequenos estudos e conhecer melhor a região e as famílias, bem como propor medidas efectivas que poderão resolver as situações da região.

Como dificuldade na sua região, aponta a mobilidade entre as aldeias e a sede do município, famílias que vivem em situação de pre-caridade, falta de água potável, educação e saúde. “Temos famílias a percorrer cerca de 60 quilómetros para terem acesso ao serviço hospitalar”, lamentou Manuel dos Santos. “Temos um grande problema que parece ser político, o quadro orgânico das administrações municipais não preveem o enquadramento de educadores sociais, é uma lacuna que precisa de ser revista”, alertou.

Afirmou que os educadores sociais podem resolver as questões de desenvolvimento comunitário, que passam essencialmente por potenciar as famílias com capacidades em relação aos conhecimentos básicos de saúde preventiva e comunitária, de modo a saberem como prevenir-se das doenças hídricas, entre outras. “Penso que os hospitais irão registar poucos doentes e o investimento para o medicamento seria reduzido”, garantiu.

Pediatria tem apenas dois assistentes sociais
Assistente social no hospital pediátrico de Luanda David Bernardino, Hermenegildo de Castro disse que, apesar de ainda se precisar de uma maior afirmação da classe, as suas actividades por agora já são visíveis na unidade hospitalar. As situações em que são chamados são, na sua maioria, do fórum psicossocial, sobretudo em famílias que apareçam com patologias crónicas, como a tuberculose, VIH/ SIDA e outros, porque para além de ser um problema clínico também é do foro social.

Actualmente o hospital conta com dois assistentes sociais para atender cerca de 400 crianças internadas, excepto as que vêm para as consultas ambulatórias. Segundo o profissional, a unidade sanitária necessita de pelo menos 10, tendo em conta o número de enfermarias que tem. Carlos Cambuta, responsável pelo sector social da ADRA, define educador social como um quadro preparado para contribuir para o desenvolvimento das comunidades, mas para tal precisa de ter oportunidades para colocar em prática os conhecimentos que adquiriu ao longo da sua formação.

Afirmou que o país conta com um número considerável de profissionais, já que anualmente são lançado no mercado de trabalho cerca de 60 novos técnicos e, de acordo com as avaliações das instituições onde realizam estágios, têm sido formados com qualidade, tal é a demonstração que fazem ao longo do estágio.