Agente do SIC solta ‘bandidos’ por 20 mil Kz

O comerciante saía de Porto pesqueiro, onde tinha levantado uma mercadoria, e foi interpelado por dois meliantes armados, que lhe surripiaram uma pasta com quantia avultada de dinheiro. Dos disparos feitos, foi atingido na mão e na coxa.

POR: João Katombela, na Huila

Um agente identificado por José Pedro Matroquela, afecto aos Serviços de  Investigação Criminal (SIC) na província da Huíla, está a ser acusado ter soltado marginais a troco de 20 mil Kwanzas. Trata-se de homens que aterrorizam a vida dos habitantes do bairro do Kwawa, arredores da cidade do Lubango.

A denúncia foi feita em exclusivo a este jornal pelos moradores do referido bairro, que afirmam ter sido informados pelos próprios marginais soltos pelo agente do SIC. Ilda Miranda, secretária da Organização da Mulher Angolana no Kwawa, disse que os marginais por si denunciados apareceram em sua casa dizendo que foram soltos pelo referido agente daquele órgão do Ministério do Interior, depois de terem pago 20 mil Kwanzas ao mesmo, no mesmo dia em que ela foi chamada para reconhecer os meliantes nas instalações da Polícia.

“No mesmo dia em que o investigador chamou os delinquentes para serem reconhecidos pela pessoa agredida, ele, na mesma tarde os soltou, o que me surpreende é que assim que foram soltos, foram a um lugar próximo para beber e começaram a dizer nas pessoas que pagaram 20 mil ao investigador, dizendo que ‘nós pagamos 20 mil ao investigador, aquele investigador é nosso, pagamos e já saímos estamos aqui’! Ouvi isso de uma pessoa, mas não quis acreditar, ouvi numa outra pessoa, também ignorei, mas, para o meu espanto, eles vieram à minha casa, bêbados a dizer: ‘dona, foste nos queixar e nós já pagamos e estamos aqui, se quisermos te matar podemos te matar, porque nós ouvimos a tua gravação feita pelo investigado2’. Sinceramente, que tipo de Polícia é esta”? indagou.

Autoridades têm conhecimentos
Por outro lado, Ilda Miranda informou que o caso já foi participado às autoridades administrativas no sentido de se tomar uma medida que vise a inversão do quadro, tendo solicitado às entidades máximas da Polícia a Investigação do caso. “Ele tem vários casos, o senhor administrador e a população do bairro dominam, já viemos há muito tempo a pedir ao comandante municipal para retirar aquele investigador do Posto policial do nosso bairro, ele não serve para ser investigador, eu mesma tenho provas que mostram que ele é mesmo corrupto, só não entendo porque é que ainda não tiram este individuo da corporação”, disse.

Os moradores do bairro do Kwawa, temem que o pior possa acontecer, já que o grupo de marginais continua a fazer ameaças de morte a todos aqueles que fizeram queixas sobre eles. Por seu turno, o administrador do bairro, Francisco Fernando, confirma que a situação é do seu conhecimento, pelo que pede das autoridades de direito a tomada de uma posição sobre o assunto.

“Confirmamos sim, porque temos a própria matéria das pessoas que vieram queixar- se na Administração do bairro, e nós, depois de registarmos a primeira queixa e a segunda, pedimos que pessoas de direito possam resolver este problema, porque a população está mesmo a reclamar. No mês passado nós comunicamos a um dos chefes da Polícia nesta área que nos garantiu uma solução, porém, verificamos que voltou a acontecer novamente” disse.

Entretanto, contactado por este jornal, para saber se a PGR tinha conhecimento do assunto, o sub-procurador-geral da República titular na província da Huíla, Hernâni Beira Grande, informou que, ao confirmar- se, o organismo que dirige vai desencadear uma Investigação para responsabilizar o acusado. Entretanto, contactado por este jornal, o porta-voz do Comando Provincial da Polícia Nacional na Huíla, superintendente Carlos Alberto, disse também não ter conhecimento de alguma queixa sobre este caso, mas prometeu pronunciar-se nesta Quinta-feira, hoje.