EUA reconhecem jerusalém como capital de Israel

Se não é a mais controversa, será seguramente a mais arrojada de todas decisões tomadas por Donald Trump em matéria de política externa. E como ela tem efeitos na politica interna da sua Administração, o debate pode estar apenas no começo . Antes mesmo de ter feito o anúncio formal de que iria transferir a embaixada norte-americana em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, o Presidente dos Estados Unidos percebeu bem o impacto que a decisão teria.

Trump não hesitou: “Depois de mais de duas décadas de adiamentos, não estando nós próximos de um acordo duradouro, seria contraproducente pensar que repetir a mesma fórmula pudesse vir a produzir resultados diferentes e melhores” . Nenhum dos 86 países que têm embaixada em Tel Aviv decidiu (por enquanto) “acompanhá-lo” nesta decisão.

Quase todos alegam que reconhecer Jerusalém como capital do Estado de Israel tem o condão de enfraquecer os ganhos que a sua Administração havia conseguido, quer com a visita ao médio oriente, quer com outras iniciativas. Apontam também o facto de esta decisão não levar em conta “espaços de Jerusalém” como a parte oriental, anexados por Israel e reclamados por terceiros.

Além de estar a cumprir uma das suas promessas de campanha, Trump entende que apenas está a fazer o óbvio. “Não é mais do que o reconhecimento de uma realidade”. Trump disse igualmente que os EUA continuam comprometidos com o processo de paz naquela região. “Não estamos a tomar nenhuma posição relativamente à questão do espaço reservado a Israel em Jerusalém.

Estas questões devem ser resolvidas pelas partes envolvidas”. Disse também que o Departamento de Estado recebeu instruções tendentes à transferência da embaixada para Jerusalém. O Presidente dos Estados Unidos já havia sugerido antes que manter a embaixada em Tel Aviv pouco ou quase nada tinha ajudado a estabelecer um acordo de paz definitivo entre Israel e palestinianos.

A decisão do Presidente dos EUA é apoiada numa lei aprovada em 1995, a qual determinava a transferência da embaixada de Tel Aviv, para Jerusalém. Aprovada no último ano do primeiro mandato do Presidente Bill Clinton, a mesma foi congelada tanto por ele, quanto pelos seus sucessores, isto é, George Bush e Barack Obama. Em termos práticos, a transferência da embaixada vai levar alguns anos.

Os EUA e outros 85 países representados em Tel A IV desde 1948, ergueram aí as suas embaixadas de forma a acomodar as preocupações de todas as correntes, mormente religiosas, as quais têm Jerusalém como local sagrado, sobretudo, judeus, cristãos e muçulmanos, seguir este caminho. Jon Alterman, especialista do Centro Internacional dos Estudos Estratégicos, diz que se o Presidente conseguiu alguma concessão da parte de Israel, ele não vê qual possa ser. Admite também que esta medida compromete a condição de mediador credível que os EUA procuram manter.

Enquanto isso, e à cautela, as autoridades vão aumentar a vigilância à volta dos seus interesses, particularmente no Médio Oriente. O discurso de Donald Trump foi recebido de forma distinta no médio oriente. Israelitas celebraram efusivamente, enquanto que na generalidade dos países árabes registaram-se protestos que foram tomados como sendo o início de uma vaga de manifestações.

Alguns analistas observam que a Administração Trump já tinha esta medida em vista há algum tempo, não a tendo executado, por causa da pressão exercida pela Autoridade Palestinana, que alegava haver progresso nas negociações com Israel. George Will, conhecido comentarista conservador, diz que esta decisão, embora controversa, tira da mesa a questão da divisão de Jerusalém.