Falta de água e degradação do canal de irrigação periga agricultura na Matala

Os agricultores vêm agora o período de irrigação das suas plantações limitado e os prejuízos são enormes. Vários hectares de terras plantadas foram destruídos por causa da “estiagem

POR: João Katombela, na Huíla

A falta de água, de imputs agrícolas e o mau estado do canal de irrigação do perímetro agrícola do município da Matala está a inviabilizar a produção agrícola naquela parcela da província da Huíla. O presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Matala (SODMAT) afirmou que este e outros problemas, que afligem os agricultores que exploram o perímetro irrigado da Matala, estão a provocar baixas na produção nos últimos cinco anos.

De acordo com Cipriano Ndulumba, aos problemas existentes associa-se igualmente a falta de energia elétrica, uma situação que tem inquietado os camponeses daquele município agrícola, cujo auge desta actividade foi alcançado em 2015, quando foram colhidos 53.000 toneladas de produtos diversos. Por causa das dificuldades existentes, Cipriano Ndulumba avança que, só este ano, os camponeses tiveram uma perda de 1.790 hectares plantados com diversos produtos, com destaque para as hortícolas, como a couve, cebola, tomate e outros.

“Nos últimos 5 anos, a produção foi crescendo, mas depois decresceu por causa dos grandes problemas do próprio canal. Por exemplo, em 2012 tivemos aproximadamente 12 mil toneladas de produtos diversos, em 2013 tivemos 15 mil toneladas, já em 2014 houve uma maior organização”, lembrou. Acrescentou ainda que foi em 2014 que se conseguiu adquirir sementes de vários produtos, “com destaque para a bata- rena, de que atingimos uma colheita de 33 mil e 800 toneladas”, reforçando que, “foi por isso que atingimos o pico da produção em 2015, em que alcançamos uma produção de 53 mil toneladas, e daí começamos a decrescer”.

Pelo contrário, referiu que em 2016 os produtores agrícolas do município da Matala registaram o maior revés na sua actividade agrícola, tendo sido colhidas apenas 20 mil toneladas. “Fechamos o ano passado com cerca de 25 mil toneladas de produtos diversos. Foi dos piores anos na nossa história de produção. Portanto, desde Junho do ano em curso que o canal já não tem água. Perdemos muita produção, são cerca de 1790 hectares com produtos diversos”, explicou.

O canal da Matala

O canal de irrigação da Matala foi construído na década de 60 do século XX, e só em 2002 beneficiou de obras de restauração, executadas pela ODEBRECHT. Este canal foi concebido para receber 5,4 metros cúbicos de água por segundo. Pelo baixo caudal de água do rio Cunene, que abastece o referido canal, o sistema permite que os agricultores irriguem as suas plantações apenas durante quatros horas por dia.

Desde 2002, altura em que foi reabilitado, nenhuma intervenção foi feita no sentido de travar as fissuras nas paredes do canal que causam fuga de água. Com uma extensão de 43 quilómetros, o seu perímetro irrigado está a ser explorado por sete cooperativas, tem dez mil e 871 hectares, dos quais 450 são irrigados com novos sistemas, outros seis mil 831 ainda funcionam com o sistema de irrigação por inundação, já que estiveram fora da primeira fase de reabilitação concluída há 15 anos.