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MPLA declara que Rui Falcão em Benguela salvou o partido de um “golpe” político

Os membros do MPLA em Benguela declaram que Rui Falcão, primeiro secretário do comité provincial, salvou o partido MPLA da crise política interna em que esteve mergulhado nos últimos anos. Entretanto, num gesto para afastar de si o protagonismo dos acontecimentos, Falcão considera que no MPLA as vitórias não são individuais, mas sim colectivas

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

Foi da boca de Zacarias Davoca, secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais, que os membros do Comité Central e provincial, quadros do partido e militantes, depois de terem prestado cumprimentos de fim de ano a Rui Falcão, na sede do partido, ouviram palavras com um pendor bíblico direccionadas ao líder partidário nas terras das acácias rubras.

Falando em nome do colectivo de membros na tradicional cerimónia, o político foi peremptório em afirmar que Rui Falcão assemelha-se a um “messias”, cuja indigitação para Benguela visou salvar o partido do cenário de crise em que se encontrava mergulhado face às querelas internas no seio da agremiação política.

“A vossa indicação e eleição (para os cargos de governador e de 1º secretário) para tão nobres desafios de liderança, política e governativa, bem merece o epíteto de messias que veio resgatar, revigorar e acender o candelabro cuja chama está (estava) a ser golpeada por sentimentos de incerteza”, asseverou, para logo a seguir recorrer à linguagem desportiva e de lá retirar a justificação de que, como bom treinador, Falcão ensinou os camaradas a ser equipa e, como um bom general, tomou a dianteira, revelando-se, neste sentido, num verdadeiro cabo eleitoral por “excelência” e inspirador no curso dos acontecimentos nas principais praças eleitorais que compõem o círculo provincial.

Fontes deste jornal afirmaram que, antes da chegada de Falcão, os indicadores davam conta, fruto da divisão interna no consulado de Isaac dos Anjos, de que o partido perderia redondamente na praça eleitoral de Benguela para seus adversários políticos, mormente a UNITA. Entretanto, embora os resultados de 2017 se mostrassem semelhantes aos de 2012, “ainda assim, penso, satisfaz o partido.

No tempo do camarada Isaac (dos Anjos), os membros estavam sem moral”, confidenciou a fonte sob anonimato. “No MPLA, as vitórias não são individuais, mas sim colectivas”, considera Falcão Zacarias Davoca termina a sua locução política considerando que Falcão foi o “homem certo, no momento certo”, contrariando, com gesto, informações segundo as quais existe “desarmonia/desarticulação” no seio dos camaradas, como muita gente diz. Contudo, Davoca refere que, sob condução do 1º secretário, acrescidas as responsabilidades, os desígnios do “Programação de Governo do MPLA para o período 2017/2022” serão efectivamente cumpridos, não obstante a situação económica e financeira difícil.

Num gesto de afastar de si o protagonismo do curso dos acontecimentos, Rui Falcão, para quem os membros do Comité Provincial se desdobraram em elogios pelo trabalho desempenhado – com destaque para o último desafio político, as eleições -, refutou, justi ficando que “No MPLA, não há vitórias individuais. As vitórias e as derrotas são sempre colectivas. Portanto, depende do empenho de cada um de nós”, rematou, para quem 2017 foi ano “duro” e de trabalho intenso, entretanto compensador.

“Tivemos que contornar muitas coisas que encontramos, mas, com a vossa colaboração, tudo foi fácil”. Há mais de 6 meses à frente dos destinos dos camaradas em Benguela, o político salientou que 2018 apresenta-se-lhes como um ano de mudanças em todos os domínios, porquanto se vai entrar numa era de mais exigência, em que os quadros do partido terão de ter mais responsabilidades e empenho no exercício das funções assumidas por cada um deles.

“Como sabem, vamos entrar num novo processo a nível do aparelho do Estado, particularmente do Executivo, e com uma maior descentralização da acção governativa”, acentua.

Essa descentralização não será apenas a nível das competências, mas também da gestão de recursos que serão postos mais directamente à disposição dos municípios e do Governo Provincial, por essa razão, apela Rui Falcão à acutilância no respeito dos princípios e valores que o MPLA sempre ensinou, precisando ser necessário preservar a imagem do partido. “Aqueles que falharem terão de assumir eles próprios as suas responsabilidades”, adverte.

O político promete trabalhar para aumentar os níveis de democraticidade interna do partido, melhorando, para o efeito, a qualidade do debate. Mas, paralelamente a isso, impõe-se, disse, a necessidade de os membros serem “mais militantes e mais responsáveis”, ressaltando que o partido tem nas suas regras e estatutos a possibilidade de todos apresentarem os seus pontos de vista, independente do pensamento e das ideias de cada um.

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